Doação de cordão: público e privado, entenda a diferença
Especialista da Inspirali explica o uso do sangue do cordão em transplantes e o cenário da rede BrasilCord.
Depois do nascimento, o sangue que permanece no cordão umbilical e na placenta pode ter um destino diferente do descarte. Segundo o ginecologista e obstetra Rodrigo Dias Nunes, diretor de Projetos Acadêmicos da Inspirali, esse material reúne células-tronco hematopoéticas utilizadas em transplantes para determinadas doenças do sangue e do sistema imunológico.
Antes de optar entre doação e armazenamento, porém, é importante entender a diferença central: no banco público, a unidade pode atender pacientes compatíveis; no privado, a coleta e a guarda são serviços contratados pela família. De acordo com Nunes, as células do sangue de cordão podem ser empregadas de modo semelhante às obtidas da medula óssea ou do sangue periférico, contribuindo para reconstruir a produção de células sanguíneas e do sistema imunológico em casos específicos.
Para que serve o sangue do cordão umbilical?
Segundo Nunes, o sangue de cordão é utilizado principalmente em transplantes de células-tronco hematopoéticas. Entre as condições citadas pelo médico estão algumas leucemias, linfomas, síndromes mielodisplásicas, aplasias e doenças hereditárias do sangue e do sistema imunológico.
Isso não significa, contudo, que o material seja uma alternativa para qualquer diagnóstico. A indicação depende da doença, de seu estágio, da idade e do peso do paciente, do número de células disponível e, sobretudo, da compatibilidade entre doador e receptor, explica o especialista da Inspirali.
Como funciona a doação pública após o parto
A coleta ocorre após o nascimento e o clampeamento do cordão, realizada por uma equipe treinada. Conforme Nunes, o procedimento recolhe o sangue que ficou no cordão e na placenta, sem interferir na assistência obstétrica ou neonatal. Por acontecer após o parto, não representa risco adicional relevante para a mãe ou o recém-nascido, de acordo com o médico.
Na doação pública, não há custo para a família. Segundo Nunes, coleta, processamento, armazenamento e disponibilização da unidade são assumidos pelo sistema público. Se considerado adequado, o material integra um banco e pode ser destinado a qualquer paciente compatível que necessite de transplante, não necessariamente a um parente da criança.
Bancos públicos e privados: a diferença central
De acordo com Nunes, a BrasilCord é a rede pública de bancos de sangue de cordão umbilical e placentário, composta por unidades de doação voluntária. Nos bancos privados, por sua vez, a família contrata a coleta e o armazenamento para eventual uso pelo próprio indivíduo ou por familiares.
O armazenamento privado não representa garantia biológica de uso futuro, ressalta o especialista. A utilização depende da indicação clínica e das características da doença. Nunes acrescenta que, em algumas doenças, especialmente determinadas leucemias, o uso das próprias células pode ser limitado por possíveis alterações genéticas relacionadas ao problema; segundo ele, a Anvisa destaca a inadequação do uso autólogo em situações desse tipo.
O cenário atual da BrasilCord
Segundo dados da Anvisa referentes a 2024, havia 15 bancos públicos na Rede BrasilCord e 15 bancos privados em funcionamento ao fim daquele ano. Os bancos privados coletaram 4.388 unidades. Na rede pública, não ocorreram novas coletas para uso terapêutico não aparentado, e sete unidades foram utilizadas em transplantes: duas em tratamentos terapêuticos reconhecidos e cinco em pesquisa clínica.
Nunes informa ainda que, em janeiro de 2025, INCA e Ministério da Saúde definiram a não abertura de novas unidades e a não ampliação do acervo enquanto avaliam o redimensionamento e uma possível centralização no banco do INCA. Para o médico, o desafio é equilibrar diversidade genética, qualidade das unidades, necessidade de transplantes e custos de manutenção.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



