Vacina contra HPV: desinformação ainda freia proteção no Brasil
Cobertura entre jovens avançou em 2025, mas informações falsas e tabu sobre sexualidade ainda dificultam a prevenção.
A vacina contra o HPV está disponível na rede pública para meninas e meninos de 9 a 14 anos, mas a desinformação ainda se coloca entre muitas famílias e uma proteção importante contra o câncer. Em 2025, a cobertura vacinal chegou a 86,22% entre as meninas e 74,55% entre os meninos nessa faixa etária, segundo dados do Ministério da Saúde citados no material-fonte. A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é vacinar 90% das meninas até os 15 anos para ajudar a eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública até 2030.
O tema é especialmente relevante para as brasileiras: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 19.310 novos casos de câncer do colo do útero no país em 2026. Sem considerar o câncer de pele não melanoma, o tumor cervical é o terceiro mais incidente entre mulheres brasileiras e, nas regiões Norte e Nordeste, ocupa a segunda posição.
Por que a vacina contra HPV ainda gera dúvidas?
Para a oncologista clínica Candice Lima, da Oncologia D’Or, a circulação de notícias falsas sobre supostos efeitos colaterais é um dos obstáculos à imunização. A médica também aponta um tabu persistente: por ser uma infecção sexualmente transmissível, o HPV ainda é associado, por alguns pais, à ideia equivocada de que a vacinação incentivaria o início precoce da vida sexual.
“No Brasil, ainda é assustador o número de casos do câncer de colo do útero, uma doença que já não deveria existir, porque tem como um causa um vírus que pode ser prevenido por vacina”, afirma Candice Lima.
Um estudo de 2024 publicado na Public Health Nursing, realizado com 17.805 estudantes de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas do Nordeste, identificou que 45,54% dos alunos pesquisados desconheciam a vacina contra o HPV. De acordo com o trabalho, o desconhecimento foi maior entre quem já havia iniciado a atividade sexual.
Informação clara também integra a prevenção
O desafio não é exclusivo do Brasil. Um estudo da Universidade de Lorraine, publicado em 2026, apontou a desinformação dos pais como barreira à vacinação na França. Entre as percepções relatadas estavam o receio de efeitos colaterais, a dificuldade de conversar sobre sexo e a avaliação de que o risco seria distante em razão da idade dos filhos.
Na Austrália, no México e no Peru, campanhas educativas e ações em ambientes digitais estiveram associadas a coberturas superiores a 80%, segundo revisão de 2025 publicada na revista Healthcare. A revisão também destacou a utilidade de campanhas em mídias sociais para ampliar o engajamento dos jovens com a vacinação.
Vacinação e rastreamento têm papéis diferentes
A vacina é uma frente de prevenção, enquanto o rastreamento segue essencial. Segundo o Ministério da Saúde, o teste de DNA-HPV oncogênico foi incorporado ao SUS em 2024 e passou a ser recomendado como método primário nas diretrizes brasileiras de 2025, com implementação progressiva. A coleta é semelhante à do Papanicolau, mas busca diretamente o material genético do vírus; durante a transição, a citologia permanece em uso.
“Precisamos continuar a divulgar a vacinação contra o HPV e desfazer as fake news sobre a vacina”, conclui Candice Lima. Segundo a oncologista, a proteção não se limita ao câncer do colo do útero e envolve também tumores que podem surgir na orofaringe, no canal anal e no pênis.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



