Livro reúne relatos de 20 cientistas no doutorado-sanduíche

Publicação da UFF e da Rede CpE será lançada em 16 de outubro no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Fazer pesquisa em outro país pode ampliar repertórios acadêmicos, mas também envolver adaptação a idiomas, distância de casa, maternidade, questões de saúde, perdas e inseguranças. Essas vivências estão no centro de “Mulher, vá fazer um sanduíche”, livro que reúne relatos de 20 cientistas brasileiras que realizaram doutorado-sanduíche em 13 países nos últimos dez anos.

De acordo com a divulgação da Rede Nacional de Ciência para Educação (Rede CpE), a obra resulta de uma parceria da rede com o projeto Meninas nas Ciências, da Universidade Federal Fluminense (UFF). O lançamento ocorrerá em 16 de outubro, durante o IX Encontro Anual da Rede CpE, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Desigualdade ainda marca a trajetória científica

O título ressignifica a expressão sexista “Mulher, vá fazer um sanduíche!”, popularizada nos Estados Unidos para reforçar o estereótipo de que o lugar da mulher seria na cozinha. Na publicação, segundo a Rede CpE, o “sanduíche” passa a representar uma formação acadêmica construída entre países, universidades e experiências, com o propósito de incentivar outras mulheres a enxergar a ciência como possibilidade de carreira.

No texto de abertura do livro, Janaína Weissheimer, coordenadora-geral da Rede CpE, chama atenção para a desigualdade de reconhecimento na área. “Cientistas homens recebem cerca de 30% mais citações do que cientistas mulheres, embora os dois grupos apresentem taxas de publicação semelhantes. A diferença de reconhecimento pode afetar a visibilidade das pesquisas e o desenvolvimento da carreira acadêmica das mulheres”, explica.

Segundo o IBGE, citado na divulgação da Rede CpE, as mulheres são maioria no ensino superior brasileiro há 27 anos. Ainda assim, a presença feminina diminui à medida que se avança para posições de maior prestígio e financiamento na carreira científica. Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), também citados pela publicação, indicam que elas representam 49% das bolsistas da agência e 59% das bolsas de iniciação científica. Nas bolsas de produtividade, a participação cai para 35,5%; no nível 1A, o mais alto da modalidade, chega a 24,6%.

Trajetórias entre 13 países

Os relatos reunidos no livro passam por Portugal, Áustria, Japão, África do Sul, Inglaterra, China, Espanha, Itália, Irlanda, Canadá, Estados Unidos, França e Angola. Uma das participantes é Renata Teófilo de Sousa, do Programa de Pós-Graduação em Ensino do Instituto Federal do Ceará (IFCE).

Conforme a divulgação, Renata realizou doutorado-sanduíche em Macau, na China, entre fevereiro e julho de 2026, com bolsa CAPES PDSE. Sua pesquisa propõe integrar Ciências da Natureza e Matemática pela abordagem STEM — sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Durante a experiência, ela desenvolveu a Modelagem Científica Integrada (MCI), acompanhada do modelo de ensino MODELIN, pensado para aplicação e disseminação em escolas públicas brasileiras.

A apresentação do livro terá um painel com Ana Beatriz Leite dos Anjos, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e Heloá Caramuru Carlos, da Fiocruz, que compartilharão experiências no exterior. Também participa Adriana Melibeu, coordenadora-adjunta da Rede CpE e responsável pelo projeto Meninas nas Ciências na UFF. Segundo a organização, o encontro ocorre em 16 e 17 de outubro, das 8h às 18h, no Museu do Amanhã.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 11 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar