IA no câncer de mama: o que muda no diagnóstico e no cuidado
Estudo com mais de 31 mil mulheres registrou aumento de 15,2% na detecção com apoio de IA; plataforma do Sírio-Libanês auxilia no acompanhamento.
A inteligência artificial (IA) já é aplicada em etapas do cuidado do câncer de mama, da análise de mamografias ao acompanhamento de pacientes que precisam repetir exames. Um estudo publicado em 2026 na revista Nature Medicine, com mais de 31 mil mulheres submetidas a mamografias, avaliou uma estratégia em que a tecnologia auxiliava na primeira análise dos exames. A taxa de detecção de câncer aumentou 15,2%. Também cresceu o número de mulheres chamadas para investigação adicional.
IA ajuda a sinalizar exames para análise
Na estratégia estudada, a ferramenta funcionou como uma camada de apoio: ajudou a separar exames aparentemente normais daqueles que mereciam uma avaliação mais cuidadosa por um radiologista. O aumento de detecção deve ser considerado junto com o crescimento dos chamados para investigação adicional. O estudo não significa que toda alteração identificada corresponda a um câncer.
Outra frente é ajudar a evitar que pacientes deixem de completar o acompanhamento recomendado. No Hospital Sírio-Libanês, a plataforma CareGaps Mama usa o histórico de exames, como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética, para identificar quem precisa manter o seguimento e enviar lembretes personalizados.
Em uma análise inicial com pacientes classificadas como BI-RADS 3 — categoria de alterações provavelmente benignas que exigem acompanhamento —, os contatos da plataforma aumentaram em 98% as chances de conclusão do ciclo de acompanhamento. O resultado se refere a esse grupo e a essa análise, não a uma garantia de retorno para todas as pacientes.
Subtipo e estágio orientam o tratamento
Tatiana Strava, oncologista clínica e coordenadora da Residência Médica de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, explica que a escolha do tratamento depende das características da doença. A avaliação considera o subtipo, identificado pela imuno-histoquímica — hormonal, HER2 ou triplo negativo — e o estadiamento, que indica se o tumor está localizado, chegou à axila ou apresenta metástase. “Só a partir dessas informações é que o oncologista consegue indicar qual é o tratamento necessário”, afirma.
Segundo Strava, as opções incluem terapias-alvo, imunoterapia, hormonioterapia, anticorpos conjugados a medicamentos e quimioterapia. A médica também afirma que a IA pode auxiliar na detecção precoce de lesões milimétricas que, às vezes, não são vistas pelo olho humano. A tecnologia pode apoiar a análise e o acompanhamento, enquanto a definição do cuidado considera cada caso.
O estudo PHERGain-2, apresentado no congresso de 2026 da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, acompanhou mulheres com câncer de mama HER2 positivo em estágio inicial. Entre as pacientes com resposta completa ao tratamento inicial, uma estratégia sem quimioterapia tradicional, mantendo medicamentos dirigidos contra HER2, apresentou resultados favoráveis relacionados à preservação da qualidade de vida. Os resultados ainda precisam de acompanhamento de longo prazo e não indicam que a quimioterapia possa ser dispensada de forma geral.
Um cenário que exige continuidade do cuidado
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre mulheres brasileiras no triênio 2026–2028. Para Strava, compreender o subtipo e o estágio da doença é parte essencial da definição terapêutica; a plataforma do hospital, por sua vez, busca apoiar a continuidade do acompanhamento. Atenção às mamas, avaliação médica diante de alterações, diagnóstico preciso e seguimento são etapas dessa jornada.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



