Dor crônica em cães e gatos pode mudar o comportamento
Apatia, irritação e reações ao toque podem indicar desconforto; veterinária explica quando observar e buscar avaliação.
Quando um cão dócil passa a rejeitar carinho ou um gato antes próximo começa a evitar interações, a mudança pode ir além do temperamento. Segundo a médica-veterinária e pesquisadora Brunna Gomes Re, apatia, irritabilidade, menor interação e reações agressivas ao toque podem ser manifestações de dor — inclusive da dor crônica, que muitas vezes passa despercebida na rotina.
“A dor crônica leva, de fato, a mudanças comportamentais em cães e gatos, que podem variar em frequência e quantidade em cada paciente. Quando o quadro não é tratado corretamente, essas mudanças podem se estender e serem compreendidas como uma personalidade diferente”, explica Brunna.
Quais mudanças de comportamento merecem atenção?
De acordo com a veterinária, um animal que reage de forma agressiva ao contato físico não necessariamente se tornou agressivo. A resposta pode manifestar desconforto diante de um quadro doloroso.
Entre os sinais citados por Brunna Gomes Re estão:
- apatia e redução da disposição;
- irritabilidade;
- reações agressivas ao toque;
- mudanças no nível de interação e de apego aos tutores.
Essas manifestações, porém, não pertencem apenas à dor crônica. Doenças agudas e episódios temporários de dor também podem provocar alterações semelhantes. Segundo a pesquisadora, a duração dos sintomas e a resposta ao tratamento ajudam a diferenciar os quadros, mas a avaliação deve considerar cada paciente individualmente.
Pets idosos exigem observação ainda mais cuidadosa
Reconhecer a dor pode ser mais desafiador em cães e gatos idosos. Brunna explica que, nessa fase da vida, há maior predisposição a condições dolorosas crônicas, como artrite, artrose e doenças dos discos intervertebrais. Ao mesmo tempo, a redução natural no nível de atividade e interação pode tornar os sinais menos evidentes.
“A chave é saber reconhecer os sinais provenientes do envelhecimento natural e os sinais decorrentes de um quadro de dor não tratado, ou de um tratamento ineficaz”, destaca a médica-veterinária.
O olhar de quem convive com o animal faz diferença
A avaliação de dor em cães e gatos não depende de um único indicador. Segundo Brunna, ela exige uma abordagem multifatorial, pois os animais não conseguem explicar verbalmente a intensidade, a duração ou as características do que sentem.
Em estudo desenvolvido pela pesquisadora ao longo de 10 anos, foram reunidos dados de 602 pacientes. A metodologia combinou avaliações clínicas, escalas de dor, informações fornecidas pelos tutores e questionários de qualidade de vida. Após a publicação da pesquisa, a abordagem passou a ser utilizada por instituições veterinárias no acompanhamento da dor e da qualidade de vida dos pacientes.
Para Brunna, a observação de quem acompanha o pet diariamente é indispensável: “O tutor é a pessoa mais próxima do paciente e nosso melhor aliado na determinação de possíveis alterações causadas por qualquer quadro doloroso”. Alterações intensas, persistentes ou fora do padrão do animal devem motivar uma avaliação veterinária, para investigar as causas e definir a necessidade de tratamento.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



