Câncer infantil: 8 sinais que merecem atenção dos pais
Sintomas persistentes ou fora do padrão da criança devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Febre que volta, palidez persistente, manchas roxas sem explicação e dores que não passam podem ter causas comuns na infância. Mas, quando persistem, se repetem ou fogem do padrão habitual da criança, merecem avaliação médica. A orientação não é concluir que se trata de câncer, e sim procurar o pediatra para entender o que está acontecendo.
O oncologista pediátrico Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador e presidente da TUCCA, explica que sintomas iniciais podem se confundir com problemas frequentes na infância. Segundo ele, o objetivo é orientar quando buscar nova avaliação, não oferecer aos pais uma lista para diagnosticar a doença em casa.
Oito sinais para observar
Nenhum desses sinais, isoladamente, significa que a criança tem câncer. A persistência ou a recorrência deve ser avaliada considerando a história clínica de cada criança.
- Febre persistente ou recorrente: dura vários dias, desaparece e volta ou não tem causa evidente.
- Palidez que não melhora: a criança permanece mais pálida do que o habitual.
- Manchas roxas ou pontinhos vermelhos sem explicação: surgem espontaneamente, em maior quantidade ou em locais incomuns.
- Dor que não passa: especialmente nos ossos ou nas pernas, quando persiste, piora ou interfere na rotina.
- Barriga inchada ou caroços: aumento abdominal sem causa aparente ou nódulos no pescoço, axila ou virilha.
- Ínguas que não desaparecem: gânglios aumentados por semanas precisam ser avaliados.
- Alterações nos olhos: reflexo branco na pupila em fotos com flash, estrabismo recente ou mudanças na visão.
- Dor de cabeça recorrente: sobretudo ao acordar, mais intensa pela manhã ou acompanhada de vômitos ou alterações de equilíbrio.
“O mais importante não é criar uma lista de sinais para os pais diagnosticarem o câncer, e sim orientar quando é preciso voltar ao pediatra e investigar uma alteração que persiste ou foge do padrão daquela criança”, afirma Epelman.
A experiência de Maitê
Uma mudança na barriga levou a família de Maitê a procurar atendimento. Com pouco mais de 1 ano, a menina apresentava constipação e distensão abdominal que não melhoravam. “Nenhuma mãe que gera um filho tão esperado imagina que um dia vai ouvir essa palavra tão terrível: câncer”, contou Yasmin, mãe da criança.
Diagnosticada em 2025 com hepatoblastoma, um tumor raro do fígado, Maitê também tinha metástase no pulmão. A indicação inicial incluía um transplante hepático. O tratamento começou com quimioterapia e, após três ciclos, os exames mostraram uma resposta importante: a doença pulmonar deixou de ser identificada e parte do fígado pôde ser preservada, afastando a necessidade do transplante. Depois, a menina passou por uma cirurgia de alta complexidade, com 12 horas de duração, para retirar o tumor.
Meses depois, a família informou que as metástases pulmonares continuavam ausentes e que Maitê havia entrado na fase de acompanhamento. A história ilustra que perceber uma alteração é apenas o início: é preciso investigar e, quando necessário, encaminhar a criança a uma equipe especializada. Epelman afirma que cada tumor e cada paciente precisam de avaliação individual, sem um tratamento único para todos.
Quando procurar atendimento
Se algo chama a atenção, a orientação é procurar o pediatra, que pode avaliar a história clínica e decidir se é necessário investigar mais. Na rede pública, o atendimento inicial pode ocorrer em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), com encaminhamento conforme a necessidade.
Em vigor desde 29 de junho de 2026, a Lei 15.442/2026 prevê que campanhas de saúde pública priorizem a divulgação de sinais e sintomas do câncer infantil e a capacitação de profissionais da atenção primária para reconhecê-los. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 7.560 novos casos infantojuvenis por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Diante de sintomas persistentes ou fora do padrão, a recomendação é buscar avaliação profissional, sem tentar fazer um diagnóstico em casa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



