AVC matou 50 mil pessoas no Brasil em sete meses de 2026
Dados do DATASUS, divulgados pela Rede Brasil AVC, reforçam o alerta para os sinais da doença e a procura imediata por emergência.
O acidente vascular cerebral (AVC) matou 50.424 pessoas no Brasil nos primeiros sete meses de 2026, segundo dados do DATASUS divulgados pela Rede Brasil AVC. No mesmo período, houve 182.253 internações pela doença, o equivalente a uma média de 238 mortes e 860 hospitalizações por dia, conforme os números apresentados pela organização.
O alerta ganha destaque em outubro, mês do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro. A campanha da World Stroke Organization, reforçada no Brasil pela Rede Brasil AVC, chama atenção para o reconhecimento dos sintomas e para a busca rápida por atendimento de emergência.
Por que o AVC exige ação imediata
De acordo com as informações divulgadas pela Rede Brasil AVC, o AVC isquêmico corresponde a cerca de 85% dos casos e acontece quando uma artéria é obstruída, interrompendo a passagem de sangue e oxigênio para as células cerebrais. O AVC hemorrágico, por sua vez, ocorre com o rompimento de um vaso cerebral; representa aproximadamente 15% dos casos e apresenta maior risco de morte.
“A cada minuto em que o AVC isquêmico não é tratado, a pessoa perde 1,9 milhão de neurônios. Sinais como fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo; confusão, alteração da fala ou compreensão; alteração na visão (em um ou ambos os olhos); alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar; e dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente, são alertas”, explica a neurologista Dra. Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC.
Para facilitar a identificação, Sheila Martins apresenta a sigla VÁ De SAMU: visão alterada; desequilíbrio; sorria, para observar se a boca está torta; abrace, verificando se um dos braços está fraco; mensagem ou música, para perceber alterações na fala; e urgente. “Diante de qualquer um desses sinais, é preciso ligar imediatamente para o SAMU, pelo 192”, afirma.
Internações também crescem entre adultos jovens
Embora seja mais frequente em pessoas mais velhas, o AVC também demanda atenção entre adultos jovens. Dados do Ministério da Saúde mostram que as internações de pessoas entre 15 e 49 anos aumentaram 16,9% entre 2020 e 2025, de 34.896 para 40.788 registros.
Em outra série divulgada pelo Ministério, na faixa de 14 a 50 anos foram registradas 36.841 internações em 2021 e 42.269 em 2024, o maior número do período. “O crescimento das internações por AVC em adultos jovens é um alerta importante. Estamos falando de uma faixa etária que, muitas vezes, não se considera sob risco e, por isso, pode demorar a reconhecer os sintomas e procurar atendimento”, salienta Sheila Martins.
Segundo a neurologista, doenças cardíacas não diagnosticadas, histórico familiar, hipertensão, diabetes e colesterol elevado estão entre os fatores de risco nessa faixa etária. Ela também cita a associação entre anticoncepcionais e tabagismo, além de alimentação inadequada, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, drogas ilícitas e sono inadequado.
Prevenção e rede de cuidado
De acordo com a Rede Brasil AVC, entre 80% e 90% dos casos estão associados a fatores de risco potencialmente modificáveis. Sheila Martins recomenda controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, identificar e tratar arritmias cardíacas, não fumar, praticar atividade física, manter alimentação saudável e realizar acompanhamento médico adequado.
O material da Rede Brasil AVC informa ainda que, em setembro de 2026, foi sancionado um projeto de lei para ampliar a oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência do SUS. No AVC isquêmico, esses medicamentos podem dissolver o trombo que bloqueia o vaso quando administrados rapidamente e em pacientes adequadamente selecionados.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



