Pesquisa: 83% das crianças se sentem próximas da família
Levantamento em 15 países aponta vínculos familiares fortes no Brasil e identifica telas e pressão do trabalho como obstáculos à convivência.
Mesmo com a rotina corrida e os celulares por perto, 83% das crianças brasileiras de 9 a 18 anos dizem se sentir muito próximas emocionalmente da família. A mesma proporção afirma estar muito feliz com as relações familiares. Nos dois indicadores, o Brasil tem o segundo maior percentual entre os 15 países pesquisados, atrás apenas da Nigéria.
Os dados são da Family First Global Survey, pesquisa encomendada pela Fundação Varkey. O levantamento reúne respostas de crianças, pais, avós e participantes da Geração Z e aponta uma combinação de laços familiares próximos e desafios para o tempo compartilhado.
Celulares aparecem como desafio à convivência
Entre os pais brasileiros, 74% dizem que o tempo de tela e os dispositivos digitais prejudicaram as oportunidades de convivência familiar. É a maior proporção entre os países pesquisados. Entre os avós, 71% dizem o mesmo, também o maior índice do levantamento.
As crianças relatam interferências na conversa: 64% afirmam que as telas às vezes, frequentemente ou quase sempre impedem a família de conversar adequadamente. Já 41% dos pais dizem que alguns ou todos os membros da família normalmente usam o celular durante as refeições. Esse percentual é o segundo maior, empatado com o da China e atrás dos Emirados Árabes Unidos.
A preocupação dos avós vai além do aparelho à mesa. No Brasil, 77% acreditam que as crianças de hoje estão sendo criadas mais pelas telas do que pela família — a maior porcentagem entre os países pesquisados.
Trabalho também reduz o tempo juntos
A falta de tempo ou a pressão do trabalho é o principal obstáculo para se conectar mais em família, segundo 61% dos pais brasileiros. Entre as crianças, 56% apontam o trabalho dos pais como o que mais frequentemente as impede de passar mais tempo com a família. Nos dois casos, os percentuais são os segundos mais altos da pesquisa, atrás apenas dos registrados no Quênia.
Ainda assim, 68% das crianças dizem que suas famílias frequentemente reservam tempo umas para as outras, apesar das rotinas corridas. Entre os avós, 80% afirmam passar frequentemente tempo de qualidade com a família, e 78% dizem se sentir emocionalmente próximos dos próprios filhos.
O que os dados mostram sobre os laços familiares
Além das respostas das crianças, 79% dos pais dizem se sentir muito próximos emocionalmente dos filhos. Para 90% deles, os membros da família frequentemente se apoiam em momentos bons e difíceis. Já 57% das crianças afirmam que os pais sempre percebem quando elas estão chateadas ou passando por dificuldades.
Sunny Varkey, fundador da Fundação Varkey e da Family First, relaciona as dificuldades de convivência a pressões econômicas, conflitos, distância geográfica e mudanças tecnológicas. Em declaração divulgada junto com o estudo, ele afirma: “Este relatório histórico mostra claramente que os laços familiares estão sob tensão. Pressões econômicas, conflitos, distância geográfica e mudanças tecnológicas tornam mais difícil para as famílias passarem tempo de qualidade juntas. Em muitas sociedades, isso está contribuindo para relacionamentos intergeracionais mais fracos, maior solidão entre os idosos e menos tempo compartilhado entre crianças, pais e avós. No entanto, a família continua sendo o pilar mais fundamental de cada comunidade, tornando mais importante do que nunca compreender, proteger e fortalecer esses relacionamentos.”
Como a pesquisa foi feita
A Family First encomendou o estudo à agência We Are Family, que realizou as entrevistas em janeiro e fevereiro de 2026. Foram ouvidos 6.002 pais, 6.011 de seus filhos com idades entre 9 e 18 anos, 3.000 avós de crianças nessa faixa etária e 3.000 participantes da Geração Z, em 15 países.
O levantamento também apresenta o Índice de Conexão Familiar, que atribui pontuações aos países com base na força das conexões familiares. Os resultados brasileiros mostram tanto indicadores elevados de proximidade e apoio quanto preocupações com a influência das telas e a falta de tempo para a convivência.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



