IA amplia a leitura de mamografias e apoia radiologistas

Ensaio com mais de 105 mil mulheres na Suécia apontou maior sensibilidade e 12% menos cânceres de intervalo no rastreamento com apoio de IA.

A inteligência artificial pode ampliar a análise de mamografias sem tirar o radiologista do centro da decisão. Publicado em janeiro de 2026 no The Lancet, o ensaio clínico MASAI acompanhou mais de 105 mil mulheres na Suécia e comparou o rastreamento com apoio de IA à dupla leitura tradicional feita por radiologistas. A estratégia que utilizou inteligência artificial apresentou maior sensibilidade e registrou 12% menos cânceres de intervalo — aqueles diagnosticados entre duas rodadas de rastreamento.

O estudo também apontou menor número de casos invasivos e de tumores maiores entre esses diagnósticos. Os resultados reforçam o potencial da IA como apoio à interpretação das imagens, mas não significam que a tecnologia faça o diagnóstico ou substitua a avaliação médica.

Como funciona a segunda leitura

Sistemas de inteligência artificial podem analisar imagens de mamografia, identificar padrões e sinalizar regiões que merecem atenção. Uma ferramenta desse tipo é o Entelai Mammo, desenvolvido pela healthtech argentina Entelai. Segundo as informações da empresa, o sistema marca áreas de interesse e atribui um score de risco de 0 a 100. Pontuações mais elevadas indicam achados que devem ser avaliados com maior profundidade pelo especialista.

A ferramenta também considera a densidade mamária, classificada conforme as categorias do BI-RADS. Essa informação é relevante porque a identificação do câncer pode ser mais difícil em mamas densas. Nesses casos, cabe ao radiologista avaliar se há necessidade de exames complementares.

Mauricio Farez, médico neurologista, CEO e cofundador da Entelai, afirma que a IA pode identificar padrões difíceis de perceber em uma leitura isolada e oferecer informações adicionais ao profissional. “O objetivo não é substituir o especialista, mas ampliar os elementos disponíveis para sua avaliação”, explica.

A decisão continua com o médico

A tecnologia é apresentada como apoio e segunda opinião, não como resposta definitiva. Se houver divergência entre a indicação da IA e a avaliação do radiologista, a interpretação final permanece sob responsabilidade do médico.

Gisele Quinallia, gerente da Entelai Brasil, destaca que a ferramenta precisa estar integrada à rotina dos serviços de saúde e contribuir para o trabalho do especialista. “A IA funciona como uma ferramenta adicional de apoio, enquanto o médico permanece no centro da decisão clínica”, afirma. Quinallia também aponta que é necessário avaliar onde a tecnologia agrega valor, quais evidências sustentam seu uso e como incorporá-la com segurança à prática médica.

Dados sobre o desenvolvimento da ferramenta

De acordo com a Entelai, o modelo do Entelai Mammo foi treinado inicialmente com 230 mil mamografias digitais de rastreamento, correspondentes a cerca de 920 mil imagens. Mais de 5,5 mil apresentavam achados benignos ou malignos confirmados por biópsia. O sistema passou ainda por validação externa com 1.505 casos classificados segundo o BI-RADS.

A empresa informa que o Entelai Mammo integra seu conjunto de soluções aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil. O ensaio MASAI e as informações sobre a ferramenta são elementos distintos: o estudo avaliou uma estratégia de rastreamento com apoio de IA, enquanto o produto é apresentado pela empresa como apoio à análise de mamografias. Em ambos os casos, a avaliação do radiologista continua essencial.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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