Estimulação cognitiva e bem-estar: estudo da USP

Pesquisa com 207 pessoas idosas observou mudanças em sintomas depressivos, memória e queixas cognitivas após um programa de estimulação.

Na conversa sobre saúde mental, o cérebro também merece atenção. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) observou redução de 29% no escore de sintomas depressivos entre pessoas idosas que participaram de um programa de estimulação cognitiva. O trabalho também registrou diminuição de queixas cognitivas e melhora no desempenho em teste de memória. A pesquisa, porém, não avaliou a estimulação como tratamento para depressão.

O estudo acompanhou 207 pessoas idosas sem comprometimento cognitivo ou demência durante 24 meses. Os resultados ajudam a contextualizar a relação entre saúde cognitiva e bem-estar emocional, tema em destaque no Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro. As pessoas participantes não tinham depressão no início da pesquisa, e a redução observada se refere a sintomas medidos por uma escala, não a uma mudança em diagnóstico.

O que foi observado na pesquisa

Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: 65 integraram o grupo de estimulação cognitiva, 63 fizeram parte de um grupo de controle ativo e 79, de um controle passivo. O grupo de estimulação participou de 72 sessões semanais ao longo de 18 meses. O controle ativo recebeu educação sobre saúde e estilo de vida; o controle passivo não recebeu intervenção.

Entre as pessoas do grupo de estimulação, os pesquisadores observaram redução de 29% no escore de sintomas depressivos, diminuição de 60% nas queixas cognitivas e melhora de aproximadamente 45% no desempenho em teste de memória. Também foram observadas melhoras em fluência verbal, funções executivas, cognição global e percepção do próprio funcionamento cognitivo. A pesquisadora Thaís Bento Lima-Silva destaca ainda que o grupo apresentou melhora na percepção da qualidade de vida.

Como eram as atividades

O programa combinou exercícios com ábaco, atividades com lápis e papel, jogos de cartas e de tabuleiro, dinâmicas em grupo e uma plataforma on-line de jogos cognitivos. As propostas mobilizavam habilidades como memória, atenção, raciocínio e funções executivas.

Thaís Bento Lima-Silva, gerontóloga, professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, afirma: “A estimulação cognitiva pode ser iniciada em qualquer idade, como proteção para a saúde cognitiva, sendo um recurso não-farmacológico preventivo”.

Contexto e limites dos resultados

Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera, afirma que, no envelhecimento saudável, devem ser considerados não apenas a ausência de doenças, mas também a autonomia, a independência, a participação social e a qualidade de vida. Essa perspectiva ajuda a situar os diferentes aspectos avaliados pela pesquisa, além da memória.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP e do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O estudo foi financiado pelo Instituto Supera de Educação; o artigo também declara relações profissionais de algumas autoras com o Instituto e informa que pesquisadores da USP lideraram o trabalho científico e as análises.

Os resultados não comprovam que a estimulação cognitiva trate depressão e não devem ser interpretados como substitutos de acompanhamento médico ou psicológico quando necessário. O artigo, intitulado SUPERA® Cognitive Stimulation Study – effectiveness of a multi-component cognitive stimulation program for cognitively unimpaired older adults: a randomized controlled clinical trial, foi publicado em 2026 na revista International Psychogeriatrics (DOI: 10.1016/j.inpsyc.2025.100178).

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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