Burnout no trabalho: 52% das empresas não têm ações
Estudo da Marsh com 746 organizações da América Latina e do Caribe aponta lacunas no apoio à saúde mental e na resposta a crises.
Mais da metade das organizações da América Latina e do Caribe ainda não tem ações para gerir o burnout. É o que aponta o estudo Redefinindo a Saúde Mental 2025, da Marsh, que analisou 746 organizações da região. O levantamento também mostra uma lacuna na resposta a emergências: entre as empresas que oferecem apoio a colaboradores com problemas de saúde mental, 62% não têm protocolo claro para lidar com crises.
Os números revelam a distância entre reservar recursos para o tema e incorporá-lo à gestão das empresas. Embora 79% afirmem contar com orçamento para iniciativas de bem-estar emocional ou saúde mental, 47% dizem que o assunto faz parte da agenda estratégica. Outros 43% ainda o consideram uma estratégia isolada.
Iniciativas nem sempre formam uma rede de apoio
A integração também é limitada: apenas 4% das organizações combinam mensuração, comunicação, educação, gestão e encaminhamento de casos. Além disso, 63% relatam ter estratégias de apoio para colaboradores com problemas de saúde mental, mas somente 31% possuem políticas corporativas específicas sobre o tema. Ter alguma iniciativa, portanto, não significa necessariamente contar com procedimentos definidos para situações de emergência.
Ariel Almazán, Líder de Consultoria em Saúde para a Marsh América Latina e Caribe, defende que a saúde mental seja incorporada à gestão de riscos relacionados às pessoas. Em sua avaliação, as organizações devem acompanhar indicadores como riscos psicossociais, absenteísmo, rotatividade, segurança e produtividade, além de definir caminhos de atendimento para crises, intervenção precoce e retorno ao trabalho. Ele também aponta a preparação de líderes para identificar riscos, promover ambientes psicologicamente seguros e encaminhar funcionários a profissionais credenciados.
Liderança e prevenção entram na pauta
O estudo indica que apenas 12% das organizações envolvem líderes desde o planejamento das ações de saúde mental. Ao mesmo tempo, 55% afirmam que seus líderes promovem ambientes psicologicamente seguros, com ações de diferentes níveis de intensidade.
O levantamento People Risk 2026, que reuniu opiniões de 4.517 profissionais de Recursos Humanos e Riscos em diferentes países, também situa a piora da saúde mental entre os principais riscos relacionados a pessoas na América Latina e no Caribe. Nesse estudo, 32% identificaram o apoio limitado à saúde mental e ao bem-estar como uma preocupação associada a condições de trabalho físicas e psicológicas inseguras; 27% apontaram benefícios de saúde mental desatualizados ou incompletos.
No Brasil, Antonietta Medeiros, Diretora de Gestão de Saúde da Marsh no país, destaca o mapeamento psicossocial diante da obrigatoriedade prevista na NR-1. Segundo ela, o processo ajuda a identificar fatores de risco no ambiente de trabalho e a orientar ações de prevenção e mitigação. Medeiros também afirma que a prorrogação por mais 90 dias da aplicação da multa não deve ser motivo para adiar o diagnóstico, mas uma oportunidade para avançar no mapeamento e integrá-lo à gestão de riscos.
Da ação pontual a uma resposta integrada
Os resultados não indicam que todas as empresas estejam sem iniciativas. Apontam, sobretudo, lacunas na integração das ações, na participação da liderança e no preparo para emergências. A conclusão de Almazán é que mensuração, liderança, acesso e protocolos de atendimento precisam estar conectados para que o reconhecimento da importância da saúde mental se traduza em uma resposta organizacional mais estruturada.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



