Violência contra a mulher: 659 mil processos desde 2023
Levantamento do Escavador reúne ações até setembro de 2026; especialista alerta que a queda nos registros não comprova redução da violência.
Mais de 659 mil processos relacionados à violência contra a mulher foram registrados entre janeiro de 2023 e setembro de 2026, segundo levantamento do Escavador. Na parcial de 2026, até 28 de setembro, foram contabilizados 130 mil processos — média de 479 por dia, ou um novo processo a cada três minutos.
Os números dimensionam ações que chegaram ao Judiciário, mas não representam todos os casos de violência no país. A redução anual observada no levantamento precisa ser lida com cautela: menos processos registrados não significa necessariamente menos violência.
Queda nos registros não conta a história toda
O total passou de 182 mil processos em 2023 para 179 mil em 2024, uma variação de -1,7%. Em 2025, foram cerca de 168 mil ações, queda de 5,9% em relação ao ano anterior. Os dados de 2026 são parciais e vão até setembro.
Dalila Pinheiro, advogada, coordenadora jurídica e DPO do Escavador, ressalta que a diminuição não deve ser interpretada isoladamente como prova de recuo da violência contra a mulher. Segundo ela, medo de denunciar, ameaças, receio de romper vínculos familiares e desconhecimento sobre onde buscar ajuda podem fazer com que situações não cheguem à Justiça.
“Imagine os que não chegaram ainda”, afirma Pinheiro, ao chamar atenção para os casos ausentes dos registros. A especialista defende ampliar a prevenção, a informação e as redes de acolhimento e proteção. Ela também aponta a importância de ajudar mulheres a reconhecer sinais de violência e de oferecer apoio para que possam romper ciclos abusivos.
Onde os processos se concentram
Na divisão regional do levantamento, o Sudeste reúne 253 mil processos, equivalentes a 38% do total. O Nordeste aparece em seguida, com 177 mil (27%); depois vêm Norte, com 123 mil (19%), Centro-Oeste, com 66 mil (10%), e Sul, com 40 mil (6%). Sudeste e Nordeste concentram quase dois terços dos registros.
Entre os estados, Minas Gerais lidera, com 127.112 processos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 84.898, e pela Bahia, com 70.608. O Amazonas registra 44.932 e o Pará, 43.644.
Essa distribuição não deve ser entendida como comparação direta da incidência de violência entre estados. O levantamento considera processos públicos classificados em assuntos como violência doméstica, Lei Maria da Penha, violência psicológica contra a mulher e lesões correlatas, conforme a Tabela Processual Unificada do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Escavador ressalva que o sigilo processual e as diferenças nos padrões de classificação dos tribunais influenciam os registros disponíveis por estado.
Informação e acolhimento também são parte da resposta
Os dados foram coletados em 28 de setembro de 2026 e abrangem processos públicos registrados desde janeiro de 2023. Portanto, retratam ações identificadas nos registros consultados, não a totalidade das experiências de violência vividas por mulheres no Brasil.
Pinheiro afirma que o enfrentamento precisa ocorrer antes que a situação chegue à Justiça, com informação para reconhecer sinais de abuso e uma rede preparada para acolher e proteger. O material indica o Disque 180 como canal para denunciar a violência contra a mulher no Brasil.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



