Receitas digitais: por que letramento em saúde importa

Canais digitais e receitas eletrônicas ampliam possibilidades de acesso, mas avaliar informações e reconhecer os limites do autocuidado continua essencial.

Comprar medicamentos por canais digitais e lidar com receitas eletrônicas pode tornar a jornada de saúde mais conveniente. Mas ter acesso a mais serviços e informações não significa, por si só, saber avaliar o que é confiável ou adequado a cada situação. Esse é o alerta da ACESSA – Associação Brasileira da Indústria de Produtos para o Autocuidado em Saúde, que destaca a importância do letramento em saúde.

O tema ganha relevância em meio a mudanças regulatórias e tecnológicas. Em agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu um processo para regulamentar a contratação, por farmácias, de canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega de medicamentos. Já a partir de 30 de setembro, o Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR) iniciou uma nova etapa, com funcionalidades para emissão e controle eletrônico de receitas. A mudança será gradual e, neste momento, não elimina o uso de receitas em papel.

Mais informação exige capacidade de avaliar

Na prática, letramento em saúde não é apenas encontrar uma informação na internet. Envolve compreendê-la, avaliar sua qualidade e decidir se ela se aplica à própria situação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o conceito como a capacidade de acessar, compreender, avaliar e utilizar informações e serviços de saúde para promover e manter a saúde. A organização também classifica o letramento em saúde como um determinante da saúde.

“O avanço dos canais digitais pode facilitar a jornada de cuidado, mas não significa que a pessoa esteja automaticamente preparada para tomar decisões sobre sua saúde”, afirma Cibele Zanotta, presidente-executiva da ACESSA. Para ela, o letramento em saúde permite acessar, compreender, avaliar e utilizar informações de maneira consciente e responsável.

Isso inclui diferenciar uma informação baseada em evidências de uma recomendação sem fundamento, entender uma orientação e reconhecer quando um sintoma precisa de avaliação profissional. “Letramento em saúde não é simplesmente saber ler uma bula ou pesquisar um sintoma na internet”, explica Cibele. Ela acrescenta que é necessário compreender a informação, avaliar sua relevância e identificar quando procurar um profissional de saúde.

Autocuidado também tem limites

Em situações como dor e febre, o autocuidado pode envolver medidas não medicamentosas e, quando apropriado, o uso responsável de medicamentos isentos de prescrição (MIPs). Cibele ressalta que isso exige compreender as orientações de uso, observar possíveis contraindicações e perceber sinais que indiquem a necessidade de avaliação profissional.

Ao tratar do tema da dor, a presidente-executiva destaca a importância de reconhecer sinais de alerta e buscar atendimento quando a dor persiste, piora ou apresenta características incomuns. “Autocuidado envolve reconhecer sinais de alerta, seguir as recomendações de uso e buscar atendimento quando a dor persiste, piora ou apresenta características incomuns”, comenta Cibele. A autonomia, nesse contexto, também envolve reconhecer os limites do cuidado individual.

Acesso à saúde e autonomia

A OMS estima que aproximadamente 4,6 bilhões de pessoas no mundo não estão cobertas por serviços essenciais de saúde. A organização calcula ainda que 2,1 bilhões enfrentam dificuldades financeiras relacionadas aos gastos com saúde, incluindo 1,6 bilhão de pessoas que vivem ou são empurradas para a pobreza por despesas diretas com cuidados de saúde.

Nesse cenário, a OMS reconhece o potencial das intervenções de autocuidado para ampliar opções e autonomia, quando acompanhadas de informações precisas, acessíveis e adequadas e do suporte de profissionais de saúde, se necessário.

A ACESSA reúne essa perspectiva no manifesto “Pratique o Autocuidado em Saúde”, que propõe quatro pilares: letramento em saúde, acesso ao autocuidado, uso responsável de MIPs e sustentabilidade do sistema de saúde. A proposta considera o autocuidado uma jornada que começa com informação, passa por decisões conscientes e inclui reconhecer os limites do cuidado individual. Com mais serviços e conteúdos disponíveis no ambiente digital, a questão é fazer com que a conveniência venha acompanhada de informação de qualidade e responsabilidade.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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