“Pobre de direita” soma 47 mil menções em dois dias

Monitoramento após o primeiro turno de 2026 registrou 60% de menções negativas e 8% positivas.

Nas 48 horas após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, a expressão “pobre de direita” e suas variações somaram 47 mil menções na internet brasileira, feitas por 37 mil autores. O monitoramento no Brandwatch Consumer Research registrou que 60% das publicações analisadas tinham tom negativo e 8% eram positivas.

O levantamento foi conduzido por Lilian Carvalho, especialista em Marketing Digital, PhD em Marketing, professora da FGV/EAESP e fundadora da Digisales Consultoria. Para ela, o volume não foi o único aspecto relevante: “A conversa não foi sobre o pobre. Foi contra ele”, afirma a pesquisadora.

Publicação atribuída a Anitta impulsionou a conversa

Carvalho aponta que um dos estopins veio da cultura pop. Uma publicação atribuída à cantora Anitta e replicada por perfis de entretenimento, como o Portal Babados, perguntava: “Tá feliz, pobre de direita, que de segunda até domingo você vai trabalhar? Porque votou em um candidato que é contra você ter 2 dias de folga.” Segundo o material do levantamento, a postagem foi compartilhada quase 10 mil vezes. A expressão “Tá feliz” apareceu mais de 11 mil vezes na nuvem de palavras do período.

Depois, circularam mensagens que ironizavam eleitores com referências a cortes de auxílios e à escala de trabalho 7×0. Carvalho relaciona essa sequência à “sensação de derrota” que, segundo sua avaliação, dominou parte do campo petista após o primeiro turno. “O luto, ao que parece, procurou um culpado”, diz a pesquisadora, que aponta o eleitor mais pobre que votou em Flávio Bolsonaro como alvo de parte das publicações.

Profissões autônomas aparecem no debate

Uma resposta veio do deputado federal Lucas Pavanato, descrito no material como o mais votado da história de São Paulo. Ele escreveu: “Vai, esquerda, continua!!! Chama o pobre de direita de burro. Debocha do motorista de Uber. Humilha o entregador de iFood. Zomba da lash designer.” No monitoramento, “motorista de Uber”, “entregador de iFood” e “lash designer” apareceram, cada expressão, cerca de 3,7 mil vezes.

Carvalho associa essas ocupações ao trabalho autônomo e à busca por melhorar de vida. Ela também menciona o meme “CEO de MEI” como uma representação desse trabalhador que atua por conta própria. A pesquisadora avalia que esse perfil é debatido em espaços políticos, mas nem sempre reconhecido quando manifesta uma escolha eleitoral diferente.

O material também registra que, entre evangélicos, Flávio tinha vantagem de 55% a 25%. No Rio de Janeiro, de acordo com dados do TSE citados no levantamento, ele aparecia com 51% nos bairros de menor renda, enquanto Lula tinha 49,7% nos de maior renda.

Hashtag teve apenas cinco usos

A hashtag #pobrededireita foi usada apenas cinco vezes no período. Para Carvalho, o dado indica que a expressão não nasceu de uma campanha organizada. Ela também observa que houve memes de direita debochando de petistas e cita críticas à arrogância feitas dentro do próprio campo progressista.

Na avaliação da pesquisadora, a dinâmica das plataformas ajuda a explicar a repercussão: “algoritmos não têm lado, mas recompensam o que há de mais emocional e humilhante em cada bolha”. O levantamento contabiliza menções e seus tons; as explicações sobre os efeitos políticos da conversa são análises atribuídas a Carvalho.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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