Bruxismo infantil: quando o ranger dos dentes merece atenção
Ranger ou apertar os dentes durante o sono pode estar ligado a ronco, respiração bucal e sinais diurnos que indicam necessidade de avaliação.
Ouvir a criança ranger os dentes durante a noite pode preocupar, mas o barulho, sozinho, não conta a história toda. O bruxismo infantil pode ser passageiro e nem sempre exige tratamento específico. Porém, quando aparece junto de ronco, respiração pela boca, sono agitado ou mudanças no comportamento durante o dia, vale observar o quadro com mais atenção.
Segundo a cirurgiã bucomaxilofacial Dra. Juliana Mussi, do Hospital Paulista, o bruxismo é multifatorial: pode envolver fatores respiratórios, do sono, comportamentais e psicológicos, além de alterações do desenvolvimento neurológico. Isso significa que não há uma única explicação para a criança apertar ou ranger os dentes enquanto dorme.
Ronco e respiração pela boca também importam
Entre os sinais que merecem atenção estão ronco e respiração pela boca durante o sono. A especialista cita associações entre o bruxismo do sono em crianças e condições como apneia obstrutiva do sono, aumento das amígdalas e adenoides, asma e alergias respiratórias.
Por isso, observar apenas os dentes pode não ser suficiente. Se a criança range os dentes e também dorme de boca aberta, ronca ou parece não descansar bem, uma avaliação mais ampla pode ajudar a investigar o que está acontecendo. A médica ressalta que alterações respiratórias devem ser investigadas e tratadas, pois o bruxismo pode ser uma consequência.
Sinais que podem aparecer durante o dia
Como o ranger costuma ocorrer durante o sono, nem sempre os responsáveis percebem o episódio. Alguns sinais diurnos podem levantar a suspeita de que a noite não está sendo reparadora ou de que há desconforto associado. Entre eles estão:
- sonolência excessiva, irritabilidade, hiperatividade ou dificuldade de concentração;
- dor de cabeça pela manhã ou cansaço nos músculos da mastigação;
- dificuldade para abrir a boca ou estalos na articulação da mandíbula;
- desgaste dos dentes, hipersensibilidade ou dor.
Ansiedade, estresse, dificuldades de atenção e hábitos como roer unhas também são observados com maior frequência em crianças com bruxismo. Refluxo gastroesofágico e o uso de determinados medicamentos estão entre outros fatores descritos pela especialista. Esses elementos não confirmam, por si só, a causa do ranger.
Quando procurar avaliação
De acordo com Dra. Juliana Mussi, se a criança não tem sintomas, dor, desgaste dentário significativo, comorbidades ou impacto na qualidade de vida, pode ser indicado apenas acompanhar e reavaliar periodicamente. Já dor, sensibilidade, desgaste importante, alterações na articulação da mandíbula ou dores de cabeça associadas ao bruxismo são motivos para buscar avaliação.
Problemas respiratórios, apneia do sono, ansiedade, depressão, alterações do desenvolvimento neurológico e refluxo também precisam ser considerados quando identificados. A orientação central é não olhar para o bruxismo de forma isolada: observar como a criança dorme, respira e se comporta durante o dia ajuda a perceber se o quadro exige investigação.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA


