Rio Rufino transforma o vime em renda, cultura e turismo

Com cerca de 200 produtores, município da Serra Catarinense preserva o trabalho artesanal e discute uma rota turística dedicada ao vime.

Em Rio Rufino, na Serra Catarinense, o vime vai muito além da matéria-prima para cestos e móveis: está ligado à renda de famílias rurais, a saberes transmitidos entre gerações e à identidade local. Reconhecido por lei como Capital Catarinense do Vime desde 29 de novembro de 2004, o município reúne cerca de 200 produtores e discute uma possível rota turística dedicada à atividade.

O cultivo, o beneficiamento e a produção artesanal movimentam diferentes etapas, do plantio à confecção de peças. Rio Rufino responde por mais de um terço da produção nacional, enquanto a Serra Catarinense concentra cerca de 90% dela.

Trabalho que atravessa gerações

Levantamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) aponta que sete municípios da região — Bocaina do Sul, Rio Rufino, Bom Retiro, Urubici, Urupema, Painel e Lages — somam mais de 1.200 produtores rurais. A área cultivada chega a pelo menos 1.215 hectares, com produção anual estimada em 15.790 toneladas.

Em Rio Rufino, são aproximadamente 250 hectares cultivados. A produção local é estimada em 3.750 toneladas por ano, além de cerca de 6 mil toneladas de varas secas produzidas anualmente na microrregião. Os números ajudam a dimensionar uma atividade que envolve tarefas manuais como poda, colheita, seleção, cozimento, descasque e secagem. Parte do trabalho acontece em oficinas, galpões e nas próprias casas.

Para a produtora rural e vice-prefeita Erane Lorenzetti Pickler, o vime tem valor cultural e econômico. “Estas hastes são muito mais que uma fonte de renda nas pequenas propriedades. São nossa cultura, promovem o turismo, unem as famílias e se constituem até em lazer e terapia nesses tempos conturbados. Sem contar que o vime é sustentável e ecologicamente correto”, afirma.

A história da cultura na cidade antecede a emancipação do município. Há registros de plantações na década de 1940, inicialmente às margens de rios, onde ajudavam no controle da erosão. Mais tarde, agricultores descobriram usos para as hastes flexíveis, como a produção de cestas. A exploração comercial ganhou força na década de 1970, quando produtores buscaram compradores em outros estados.

Do artesanato ao turismo

Hoje, o vime pode virar cestas, bandejas, guirlandas, luminárias, vasos e móveis, entre outros objetos. A artesã Maria Bernadete Blomer Dorroite destaca o trabalho feito com a fibra extraída da casca: “A fita que eu e meu marido José, extraímos da casca do vime é a peça mágica que transforma o artesanato. Aqui trabalhamos com carinho e não percebemos os dias passar. No final, temos um produto belo e encantador”.

Uma Rota Turística do Vime está em discussão, com participação prevista do Conselho de Turismo e do Núcleo de Desenvolvimento e Turismo de Rio Rufino. A proposta é conectar áreas de cultivo, produção artesanal, comércio, gastronomia e hospedagem. Ainda em fase inicial, a rota não é apresentada como um roteiro já implantado.

Se avançar, a iniciativa poderá aproximar visitantes de uma cadeia que combina agricultura, artesanato e história local. Para as famílias que mantêm o cultivo e o trabalho manual, também pode ampliar a visibilidade de uma atividade que faz parte da paisagem e da vida de Rio Rufino há décadas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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