Sintomas cardíacos em mulheres que podem passar despercebidos
Cansaço persistente, falta de ar e palpitações podem ser confundidos com estresse; entenda quando esses sinais merecem avaliação.
Nem todo problema no coração começa com uma dor intensa no peito. Em mulheres, sintomas como cansaço persistente, falta de ar em atividades habituais, palpitações e desconfortos no peito podem ser erroneamente atribuídos à ansiedade, estresse ou alterações hormonais, o que pode atrasar a investigação médica.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, inclusive entre as mulheres, segundo dados do Ministério da Saúde. Um posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicado em 2025, destaca o subdiagnóstico e o subtratamento das doenças cardiometabólicas femininas, ressaltando que o número de mortes por infarto em mulheres é oito vezes maior do que o registrado por câncer de mama.
Sinais fora do padrão clássico
Além do cansaço e da falta de ar, outros sintomas que podem passar despercebidos incluem tontura, palpitações e desconforto no peito. Quando há dor, ela pode se manifestar não como uma pressão intensa, mas como peso ou queimação, podendo irradiar para as costas, pescoço, mandíbula ou braços, acompanhada ou não de náusea e suor excessivo.
“Nas mulheres, nem sempre a doença cardiovascular se manifesta da forma clássica”, explica a cardiologista Carla Okabe, do Hospital São Marcelino Champagnat. Ela destaca que as queixas femininas podem ser diferentes e frequentemente são minimizadas ou atribuídas a outras causas.
O alerta é para observar sintomas novos, persistentes ou diferentes do habitual, que devem ser avaliados por um profissional de saúde em vez de serem naturalizados.
Importância do histórico clínico
A avaliação do risco cardiovascular deve considerar não apenas os sintomas atuais, mas também o histórico de saúde da mulher. Complicações durante a gestação, como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, hipertensão e diabetes gestacionais, além de menopausa precoce, doenças autoimunes, síndrome dos ovários policísticos e alguns tratamentos oncológicos, são fatores relevantes para o acompanhamento ao longo da vida.
Na menopausa, alterações metabólicas como aumento do colesterol, gordura visceral e resistência à insulina podem elevar o risco cardiovascular. Por isso, é importante informar o médico sobre condições de saúde anteriores, mesmo que tenham ocorrido há anos.
Prevenção antes dos sintomas
Fatores como histórico familiar de infarto ou AVC, alterações na pressão arterial, colesterol ou glicemia, tabagismo, sedentarismo, ganho de peso e redução da capacidade física são motivos para buscar avaliação cardiovascular. A orientação deve ser personalizada conforme o perfil de cada mulher.
Um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com 4.896 pacientes internados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Curitiba, identificou maior risco de morte após infarto entre mulheres de 45 a 55 anos em comparação com homens da mesma faixa etária, reforçando a importância do acompanhamento preventivo.
Como resume a cardiologista Carla Okabe: “Não é preciso esperar um sintoma aparecer para cuidar do coração.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



