Autismo tardio: sinais que podem passar despercebidos
Boa linguagem e bom desempenho escolar não excluem o TEA; camuflagem social e novas exigências podem tornar sinais mais visíveis
Ter boa linguagem, bom desempenho escolar e aprender a imitar comportamentos sociais não exclui a possibilidade de autismo. Algumas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) só recebem o diagnóstico na adolescência ou na vida adulta, quando novas exigências sociais e de autonomia tornam mais visíveis dificuldades que antes passavam despercebidas.
Esse reconhecimento tardio pode ajudar a compreender experiências vividas ao longo dos anos e a identificar recursos adequados para estudo, trabalho e relações sociais. A Academia Nacional de Medicina chama atenção para o tema e destaca que um sinal isolado não é suficiente para definir um diagnóstico.
Quando sinais ficam mais visíveis
Na adolescência, as relações sociais tendem a exigir mais flexibilidade e interpretação de mensagens indiretas. Dificuldades persistentes para entender ironias e regras sociais implícitas, estabelecer amizades ou lidar com mudanças podem chamar atenção. Interesses muito intensos, comportamentos repetitivos e particularidades sensoriais também podem fazer parte do quadro descrito pela instituição.
Outro aspecto é a camuflagem, também chamada de masking. “Alguns observam e imitam o comportamento dos outros, ensaiam previamente o que dizer, reproduzem expressões e gestos socialmente esperados e até controlam comportamentos repetitivos, fenômeno conhecido como camuflagem ou masking”, explica o Acadêmico Antonio Egidio Nardi, presidente da Academia Nacional de Medicina.
Essas estratégias podem fazer com que características passem menos despercebidas para quem está ao redor, mas não significam que as dificuldades deixaram de existir. Com o aumento das demandas sociais e da necessidade de autonomia, aquilo que parecia discreto pode ganhar impacto no cotidiano.
Avaliação considera a história
O diagnóstico não depende de uma característica isolada. A avaliação considera um conjunto de sinais, a história do desenvolvimento e possíveis repercussões na vida social, acadêmica, profissional ou afetiva. Segundo Nardi, “alguns sinais podem chamar a atenção para um possível autismo, especialmente quando estão presentes desde fases precoces da vida e repercutem no funcionamento social, acadêmico, profissional ou afetivo”.
Ansiedade, depressão ou TDAH também podem aparecer junto ao TEA e, em alguns casos, ser percebidos antes. Por isso, reconhecer uma dificuldade não equivale a concluir que alguém é autista: a investigação precisa ser feita por profissionais, com avaliação adequada.
Para quem recebe o diagnóstico mais tarde, a informação pode oferecer uma nova forma de interpretar situações antes vistas como timidez, inadequação ou dificuldade de adaptação. O objetivo, afirma Nardi, “não deve ser colocar um rótulo nem tentar transformar a personalidade da pessoa”, mas compreender seu modo de funcionamento e, quando houver sofrimento ou prejuízo, buscar recursos que favoreçam autonomia, participação social e qualidade de vida.
Debate sobre o TEA
A Academia Nacional de Medicina anuncia uma sessão pública dedicada ao Transtorno do Espectro Autista para 8 de outubro, às 15h, com participação presencial ou online. A programação prevê discussões sobre diagnóstico e tratamento em diferentes fases da vida, comorbidades, terapias no adulto e avaliação neuropsicológica.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



