Planos de saúde: despesas crescem mais que mensalidades no 1º semestre de 2026

FenaSaúde destaca pressão nos custos das operadoras e avanço de contratos com coparticipação e franquia

Para quem inclui o plano de saúde no orçamento pessoal ou familiar, os números mais recentes ajudam a entender o debate sobre custos e acesso. No primeiro semestre de 2026, as receitas das operadoras com mensalidades cresceram 9,6%, mas as despesas assistenciais avançaram ainda mais: 9,9%. Os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), apresentados pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) em transmissão online realizada em 1º de outubro.

As mensalidades somaram R$ 175,8 bilhões entre janeiro e junho, enquanto os gastos assistenciais chegaram a R$ 143 bilhões. Nesse cenário, o resultado líquido do setor recuou 12,2% em comparação com o primeiro semestre de 2025, refletindo uma margem líquida setorial de 6,2%, contra 7,7% no ano anterior.

Indicadores econômicos e operacionais

A margem operacional caiu de 3,9% para 3,2% no período, indicando que a recuperação do setor iniciada em 2025 começa a perder força. A sinistralidade dos planos médico-hospitalares, que mede o peso dos gastos assistenciais em relação às receitas, atingiu 81,9%, um aumento de 0,8 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, ressalta que o cenário exige esforço constante das operadoras para controlar custos, combater desperdícios e garantir a sustentabilidade do sistema. Ele destaca que, entre 2010 e 2025, a margem líquida média do setor foi de 3,5%, mas ao desconsiderar o resultado financeiro, essa margem cai para apenas 0,6%, evidenciando a forte pressão sobre as operadoras no longo prazo.

Coparticipação e franquia ganham espaço

Uma informação relevante para os consumidores é a presença crescente dos chamados fatores moderadores, como coparticipação e franquia. Em 2025, 69% dos beneficiários de planos coletivos estavam em contratos com esses mecanismos, segundo dados apresentados pela FenaSaúde.

Esses planos foram, em média, 35% mais baratos que os contratos sem fatores moderadores, segundo a análise da ANS. Essa comparação é uma média e não garante economia para todas as contratações.

O setor encerrou o semestre com 53,2 milhões de beneficiários em planos médicos e 37 milhões em planos exclusivamente odontológicos. Apesar desse alcance, a cobertura médico-hospitalar permanece próxima de 25% da população brasileira há mais de uma década.

Propostas para o futuro da saúde suplementar

Durante a transmissão, a FenaSaúde apresentou sua agenda para 2027–2030, destacando prioridades estruturantes para o setor. Entre as propostas estão a integração entre os sistemas público e privado, com prontuário eletrônico unificado; ampliação do acesso por meio de produtos de menor custo, mais acessíveis e segmentados; maior racionalidade na incorporação de tecnologias em saúde; e combate a fraudes e desperdícios, incluindo o aperfeiçoamento da legislação e a obrigatoriedade do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Essas são propostas do setor para o futuro e não medidas já implementadas. O objetivo é ampliar o acesso e a sustentabilidade da saúde suplementar, em um contexto de desafios econômicos e jurídicos que impactam as operadoras e os beneficiários.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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