Meninas refugiadas enfrentam barreiras para seguir na escola

Relatório do ACNUR aponta 5,8 milhões de crianças refugiadas fora da escola e alerta para obstáculos que afastam adolescentes do ensino médio.

Continuar na escola ainda é um caminho cheio de obstáculos para meninas refugiadas. O Relatório de Educação 2026 da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estima que 5,8 milhões de crianças refugiadas estavam fora das salas de aula em 2025. Para as adolescentes, a passagem ao ensino médio é especialmente delicada: pobreza, riscos à proteção e casamento infantil estão entre as pressões que levam ao abandono dos estudos.

O número representa 44% dos 13,1 milhões de crianças refugiadas em idade escolar no mundo. Segundo o ACNUR, cortes de financiamento ameaçam ampliar a exclusão e reverter avanços conquistados na educação dessa população.

Ensino médio: uma barreira para meninas

Os dados mostram como o acesso diminui entre as etapas escolares. Em 2025, 65% das crianças refugiadas em idade de cursar o ensino fundamental estavam matriculadas nesse nível. No ensino médio, a taxa era de apenas 32%.

Meninas e meninos frequentam o ensino fundamental em proporções semelhantes, mas a diferença aumenta significativamente no ensino médio. O relatório aponta que a continuidade dos estudos das meninas está próxima de um ponto crítico, diante das pressões que afastam adolescentes da escola.

“A educação é proteção. Mas também é um caminho para oportunidades e autossuficiência”, afirmou Barham Salih, Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, no material divulgado pelo ACNUR.

Universidade e autonomia econômica

Enquanto a educação básica enfrenta obstáculos, o ensino superior registrou um avanço. A matrícula de pessoas refugiadas chegou a 11% em 2025, ante 9% em 2024. Mais de 450 mil ingressaram nessa etapa pela primeira vez, o maior número já registrado.

Para mulheres e meninas refugiadas, o acesso a competências e qualificações pode abrir oportunidades de emprego e favorecer maior independência econômica. Ainda assim, o progresso está longe de ser uniforme.

Em mais de 80% dos países que reportaram dados, a matrícula de refugiados no ensino superior ficou abaixo da média nacional. Nos países de baixa renda e afetados por conflitos, apenas 2% estavam matriculados, contra 13% dos nacionais.

Acesso à educação no Brasil

No Brasil, pessoas refugiadas têm acesso garantido ao sistema público de educação. No ensino superior, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, implementada pelo ACNUR em cooperação com universidades desde 2003, reúne 54 instituições em 17 estados e no Distrito Federal.

Em 2025, as instituições conveniadas contabilizaram 1.121 novos estudantes refugiados e migrantes: 926 na graduação, 117 no mestrado e 78 no doutorado. Também foram revalidados 344 diplomas, e 4.327 pessoas refugiadas e migrantes foram beneficiadas por aulas de português.

O relatório reforça que inclusão exige condições concretas: professores, salas de aula, materiais didáticos e financiamento. Proteger esses recursos é necessário para que o acesso à escola se traduza em continuidade dos estudos e oportunidades de futuro.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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