Soprar canela no primeiro dia do mês pode afastar a prosperidade

Tânia Gori explica por que o gesto de soprar contraria o simbolismo da especiaria na Bruxaria Natural e como usá-la com mais coerência.

O ritual de soprar canela na porta de casa no primeiro dia do mês ganhou popularidade nas redes sociais como uma simpatia para atrair dinheiro e prosperidade. Para a bruxa e escritora Tânia Gori, porém, a prática pode ter um significado simbólico contrário ao que muitas pessoas imaginam.

Segundo Tânia, o problema não está na canela, na Bruxaria Natural, a especiaria é associada ao elemento Fogo e ao planeta Marte, carregando simbolismos ligados à ação, realização, movimento e prosperidade. A contradição estaria justamente no ato de soprá-la. “Quando sopramos alguma coisa, estamos colocando essa energia em movimento e mandando-a para longe. Se a intenção é trazer prosperidade para dentro de casa, não faz sentido soprar para dispersar justamente o elemento que representa aquilo que queremos atrair”, explica.

Para Tânia, há ainda um conflito simbólico entre os elementos envolvidos. Enquanto a canela está relacionada ao Fogo, o sopro representa o Ar. Em vez de potencializar a intenção do ritual, essa combinação seria utilizada de maneira equivocada.

Aprenda como usar a canela para prosperidade

Para quem deseja trabalhar simbolicamente a prosperidade, Tânia recomenda ativar a canela por meio do próprio elemento Fogo. Uma das possibilidades é utilizar a especiaria em um ritual com vela ou queimá-la em um caldeirão, sempre tomando os cuidados necessários com o fogo.

A bruxa lembra que cada elemento possui uma função dentro da Bruxaria Natural e que compreender esses significados é mais importante do que simplesmente reproduzir práticas que viralizam nas redes sociais.

É justamente por isso que o sopro não seria errado em qualquer ritual. Tudo depende do objetivo. Quando a intenção é afastar, expulsar ou dispersar determinada energia, soprar pode fazer sentido dentro dessa lógica. Tânia cita como exemplo a pimenta-do-reino, que pode ser soprada em práticas voltadas ao afastamento de obstáculos e energias indesejadas.

A diferença está, portanto, na intenção: enquanto a canela representa aquilo que se deseja atrair e manter por perto, a pimenta pode representar aquilo que se pretende mandar para longe. Já o arroz, tradicionalmente relacionado à fartura e à fertilidade, pode ser colocado nos cantos da casa em práticas voltadas à abundância.

“Não basta escolher um ingrediente associado à prosperidade. É preciso entender o que estamos fazendo com ele. Cada elemento da natureza possui seu simbolismo e, quando conhecemos essas correspondências, conseguimos realizar os rituais com mais coerência e propósito”, afirma Tânia Gori.

Sobre Tânia Gori

Tânia Gori é bruxa, escritora e uma das referências brasileiras em Bruxaria Natural. Ela é fundadora da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa e autora de mais de 15 livros sobre espiritualidade, magia natural e práticas ancestrais. Há mais de três décadas, dedica-se ao estudo e ao ensino dos usos simbólicos dos elementos da natureza, além de ministrar cursos, palestras e formações em todo o Brasil.

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Por Tânia Gori

Bruxa, escritora, fundadora da Universidade Livre Holística Casa de Bruxa, autora de mais de 15 livros sobre espiritualidade, magia natural e práticas ancestrais, com mais de três décadas de estudo e ensino dos usos simbólicos dos elementos da natureza

Artigo de opinião

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