Laudo de autismo e TDAH em adultos: entenda os termos
Funções executivas, comorbidades e níveis de suporte ajudam a orientar o acompanhamento clínico
Receber um diagnóstico de autismo ou TDAH na vida adulta pode ajudar a compreender dificuldades antigas relacionadas à atenção, organização, interação social ou processamento sensorial. No entanto, o laudo médico frequentemente traz termos técnicos que podem gerar dúvidas. Entender esse vocabulário é parte fundamental do cuidado e auxilia na compreensão do impacto desses resultados na rotina do paciente.
De acordo com o neurologista Matheus Trilico, especialista no atendimento de adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), os termos presentes no laudo descrevem características identificadas durante a avaliação clínica e devem ser interpretados dentro do contexto individual, sem reduzir a pessoa a uma definição única.
Funções executivas e comorbidades
As funções executivas referem-se a habilidades cognitivas essenciais para planejar, organizar comportamentos, iniciar e concluir tarefas, controlar impulsos e adaptar estratégias, além de manter informações relevantes em mente durante a realização de atividades. Alterações nessas funções podem ocorrer no TDAH, mas precisam ser analisadas considerando o quadro clínico completo.
O termo comorbidade indica a presença simultânea de duas ou mais condições em um indivíduo. Por exemplo, uma pessoa com autismo pode também apresentar TDAH, transtornos de ansiedade ou depressão. Identificar essas condições auxilia no planejamento de um acompanhamento adequado para cada uma delas.
Apresentações clínicas do TDAH
O laudo pode descrever o TDAH em três apresentações clínicas:
- Predominantemente desatenta;
- Predominantemente hiperativo-impulsiva;
- Combinada.
Essa classificação não implica que os sintomas permanecerão inalterados ao longo da vida, pois a predominância dos sintomas pode variar com o tempo.
Autismo: sensibilidade sensorial e níveis de suporte
Na avaliação do autismo, podem ser observadas características de hiper ou hiporreatividade sensorial, que indicam respostas intensificadas ou reduzidas a estímulos como sons, luzes, texturas, cheiros e temperaturas.
Além disso, o laudo pode mencionar os níveis de suporte (1, 2 ou 3), que refletem a necessidade de apoio em diferentes áreas e contextos. Esses níveis não devem ser encarados como rótulos definitivos, pois as necessidades podem variar conforme o ambiente, as demandas, a fase da vida e condições associadas.
“É fundamental que o diagnóstico considere o indivíduo em sua totalidade, e não apenas uma classificação”, ressalta Matheus Trilico.
O laudo como parte do cuidado contínuo
Instrumentos padronizados, como questionários, escalas e protocolos, são utilizados para organizar e complementar a coleta de informações durante a avaliação, mas não devem ser interpretados isoladamente como confirmação do diagnóstico.
A avaliação clínica envolve análise da história médica, desenvolvimento, sintomas, prejuízos funcionais e contextos familiar, escolar, profissional e social, além da investigação de outras condições que possam explicar ou acompanhar os sintomas.
Para quem recebe o diagnóstico na vida adulta, compreender o laudo é uma oportunidade de relacionar os termos técnicos à própria história, sem reduzir a experiência a uma simples classificação. O resultado deve ajudar a entender dificuldades e potencialidades, orientando os próximos passos do acompanhamento.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



