Câncer do colo do útero: rastreamento antes dos sintomas
Relato de Carolana destaca diagnóstico precoce e importância do teste de HPV e vacinação
O câncer do colo do útero pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que torna o rastreamento uma ferramenta essencial para a prevenção e detecção precoce da doença. Recentemente, a ex-jogadora da Seleção Brasileira de vôlei Ana Carolina, conhecida como Carolana, revelou que foi diagnosticada com câncer do colo do útero em abril deste ano, durante uma consulta de rotina, quando a doença ainda estava em estágio inicial.
Em um vídeo publicado no Instagram em 29 de setembro, Carolana compartilhou que passou por duas cirurgias, em junho e agosto, e que está bem após concluir o tratamento. Seu relato destaca a importância de não esperar por sintomas para realizar exames preventivos.
Teste de HPV: a nova estratégia de rastreamento
O Ministério da Saúde do Brasil atualizou as diretrizes para o rastreamento do câncer do colo do útero, adotando o teste molecular para detecção do DNA do HPV oncogênico como método primário. Essa estratégia está sendo implementada progressivamente no Sistema Único de Saúde (SUS), com a meta de estar disponível em toda a rede pública até dezembro de 2026.
O rastreamento é recomendado para mulheres e outras pessoas com colo do útero, entre 25 e 64 anos, que já tenham tido atividade sexual. Caso o teste de DNA-HPV seja negativo, a recomendação é repetir o exame após cinco anos.
Enquanto a implantação do teste molecular ocorre, o exame de Papanicolau continua sendo utilizado conforme a disponibilidade e os protocolos dos serviços de saúde. O Papanicolau analisa células do colo do útero para identificar alterações que podem preceder o câncer.
HPV positivo não significa câncer
Um resultado positivo para HPV pode causar preocupação, mas não indica necessariamente a presença de câncer. A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) é comum e, na maioria dos casos, o organismo consegue controlar a infecção. O risco maior está na persistência de tipos oncogênicos do vírus, que podem levar a alterações celulares progressivas.
“Um resultado positivo para HPV não significa que a mulher tenha câncer. Significa que existe uma infecção que precisa ser avaliada dentro de um protocolo de acompanhamento”, explica o oncologista Diocésio Andrade, líder nacional dos tumores ginecológicos da Oncoclínicas.
Dependendo do resultado e do tipo de HPV identificado, podem ser indicados exames complementares, como citologia, colposcopia e, se necessário, biópsia. A colposcopia permite examinar o colo do útero com aumento, enquanto a biópsia analisa um fragmento do tecido para detectar alterações precursoras ou câncer.
Sinais que merecem investigação médica
Embora o rastreamento seja fundamental mesmo na ausência de sintomas, alguns sinais devem ser investigados, como:
- Sangramento durante ou após a relação sexual, entre as menstruações ou após a menopausa;
- Dor durante a relação sexual;
- Corrimento vaginal com sangue ou odor desagradável.
Vacinação e acompanhamento: prevenção integrada
A vacinação contra o HPV está disponível gratuitamente pelo SUS para os públicos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações. A vacina reduz o risco de infecção pelos principais tipos de HPV relacionados ao câncer do colo do útero, mas não substitui a necessidade do rastreamento na idade indicada.
O uso de preservativos também ajuda a reduzir o risco de transmissão do HPV, embora não elimine completamente, pois o vírus pode estar presente em áreas da pele não cobertas pelo método.
“A prevenção eficaz depende da combinação de vacinação, rastreamento e acesso ao cuidado. Não adianta ter uma vacina eficaz se a cobertura é insuficiente, nem um exame sofisticado se a mulher não consegue realizá-lo ou não tem acesso ao acompanhamento quando o resultado é alterado”, ressalta Diocésio Andrade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



