Imóveis de R$ 1 milhão atraem estrangeiros na Zona Sul do Rio

Estrangeiros responderam por 32% das vendas de imóveis compactos em bairros valorizados do Rio; a moeda forte influencia a percepção de preço

Um imóvel anunciado por R$ 1 milhão pode representar esforços financeiros muito distintos, dependendo da origem do comprador. Essa diferença é evidente na crescente participação de estrangeiros no mercado imobiliário da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde a valorização dos bairros e a força do dólar e do euro influenciam a percepção sobre preço e investimento.

De novembro de 2025 a abril de 2026, estrangeiros foram responsáveis por 32% das 54 vendas de unidades compactas realizadas pela Patrimóvel em Copacabana, Ipanema e Leblon. Argentinos lideraram as aquisições, seguidos por compradores da Europa e da Nova Zelândia.

Bairros valorizados e preços elevados

Esses bairros já figuram entre os mais caros do país. Em agosto, o preço médio anunciado do metro quadrado atingiu R$ 28.751 no Leblon, R$ 26.612 em Ipanema e R$ 13.626 em Copacabana, conforme o Índice FipeZAP. Nos últimos 12 meses, os aumentos foram de 13,6%, 8,6% e 9,1%, respectivamente.

Embora não haja evidências de que a presença estrangeira tenha impulsionado essa valorização, o fato é que esses compradores estão entrando em regiões com forte demanda e preços elevados.

Marcos Koenigkan, empresário multissetorial e especialista em mercado imobiliário, destaca: “O preço anunciado é igual para todos, mas o esforço financeiro para chegar até ele não é. Quando entra um comprador com patrimônio constituído em moeda forte, muda a referência usada para avaliar aquele ativo”.

Perfis variados de compradores

Os estrangeiros que adquirem imóveis no Rio apresentam perfis diversos: investidores interessados em renda e valorização patrimonial, proprietários de segunda residência e aqueles que combinam as duas finalidades, utilizando o imóvel parte do ano e alugando-o quando ausentes.

A procura por apartamentos compactos está relacionada à locação de curta duração. Na empresa Lobie, que administra esse tipo de propriedade, a participação de estrangeiros entre os proprietários cresceu de cerca de 2% para 18% em três anos.

O levantamento Raio X FipeZAP indica que, no primeiro trimestre de 2026, 40% das aquisições imobiliárias tiveram finalidade de investimento, com 58% buscando renda por aluguel e 42% visando retorno pela revenda após valorização.

Diferenças financeiras e impacto do turismo

Para compradores que recebem em reais e dependem de financiamento, o custo envolve entrada, juros e prestações. Já quem possui patrimônio em dólar ou euro parte de uma referência financeira distinta, o que não significa que o imóvel brasileiro seja automaticamente barato.

O turismo também influencia esse cenário. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil recebeu 6,45 milhões de visitantes estrangeiros, com argentinos liderando o fluxo, totalizando 2,24 milhões de entradas. Embora o turismo não implique necessariamente intenção de compra, amplia o contato com destinos onde imóveis são usados como segunda residência ou fonte de renda.

Até o momento, não há evidências de que a presença de compradores internacionais esteja elevando os preços dos imóveis brasileiros de forma generalizada. O movimento é concentrado em áreas turísticas e valorizadas, adicionando uma nova camada de demanda a locais já considerados caros, onde a percepção de preço varia conforme o perfil do comprador.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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