Idosos representam 39,1% dos atendimentos no Hospital Universitário Cajuru
Envelhecimento da população aumenta demanda por cuidados multidisciplinares e continuidade do tratamento após alta
O envelhecimento da população brasileira tem transformado o perfil dos pacientes atendidos nos hospitais. No Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR), pessoas com 60 anos ou mais representaram 39,1% dos atendimentos em 2025, evidenciando a crescente demanda por cuidados especializados para essa faixa etária.
Entre 2023 e 2025, o número de pacientes idosos atendidos pela instituição aumentou de 60.627 para 68.853, um crescimento superior a 13% em dois anos. O hospital realiza atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
População mais longeva e mudanças demográficas
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1940, uma pessoa que chegava aos 60 anos tinha expectativa de vida média de mais 13,2 anos. Atualmente, essa expectativa é de 22,6 anos, um ganho de quase uma década em pouco mais de 80 anos.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) indicam que, entre 2012 e 2025, a participação dos brasileiros com 60 anos ou mais na população passou de 11,3% para 16,6%, enquanto a parcela com menos de 30 anos diminuiu de 49,9% para 41,4%.
Essa mudança demográfica resulta em um aumento de pacientes com doenças crônicas, múltiplas comorbidades e uso de diversos medicamentos, o que demanda acompanhamento por diferentes especialidades médicas. Larissa Hermann, da clínica médica do Hospital Universitário Cajuru, destaca que esses pacientes geralmente apresentam maior fragilidade e complexidade no cuidado.
Doenças crônicas e complexidade do tratamento
O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) aponta que cerca de 70% dos idosos convivem com pelo menos uma doença crônica, e quase três em cada dez têm duas ou mais. Entre as principais causas de internação estão doenças cardiovasculares, respiratórias, complicações do diabetes, doenças neurológicas, infecções e quedas com fraturas.
A presença de múltiplas condições de saúde torna o tratamento mais complexo e prolonga o tempo de internação, aumentando a necessidade de cuidados especializados, como fisioterapia, nutrição, enfermagem e fonoaudiologia.
Um exemplo citado é a fratura de quadril: enquanto um paciente de 50 anos pode receber alta um ou dois dias após a cirurgia, um idoso pode precisar de quatro a cinco dias para recuperar condições essenciais, como hidratação, nutrição, força e capacidade de caminhar com segurança.
Continuidade do cuidado após a alta
A alta hospitalar não encerra o tratamento para muitos idosos, que retornam para casa necessitando de auxílio em atividades básicas como alimentação, higiene, locomoção e administração de medicamentos. Essa situação exige reorganização da rotina familiar e apoio para a reabilitação.
Larissa Hermann ressalta que a internação é apenas uma etapa do processo de recuperação, que depende da continuidade do cuidado em casa, do suporte familiar e da reabilitação. A ausência desse acompanhamento pode aumentar as chances de novas internações.
Esse cenário reforça a importância de políticas públicas focadas em prevenção, atenção primária, reabilitação e suporte aos cuidadores, especialmente diante do crescimento da população idosa com necessidades de saúde complexas.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



