Sensor com melanina pode monitorar cicatrização de feridas
Pesquisa da Unesp desenvolve tecnologia para acompanhar pH, umidade e oxigênio em lesões
Uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) está desenvolvendo sensores capazes de monitorar o processo de cicatrização de feridas por meio da detecção de biomarcadores no microambiente das lesões. O objetivo é criar dispositivos que transformem as mudanças químicas e físicas da ferida em sinais elétricos interpretáveis, possibilitando um acompanhamento contínuo da recuperação.
O projeto, intitulado “Sensores Neuromórficos para Diagnósticos Sustentáveis em Saúde”, é conduzido pelo físico João Vitor Paulin, do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp, no câmpus de Rio Claro, com apoio da Fapesp. Atualmente, a pesquisa está em fase laboratorial.
Monitoramento do microambiente da ferida
A tecnologia visa captar informações sobre diferentes características do ferimento, como o pH, a umidade e a quantidade de oxigênio, que influenciam diretamente o processo de cicatrização. A ideia é que o sensor possa identificar alterações precoces, auxiliando no manejo de feridas, especialmente em pacientes com dificuldades de recuperação, como diabéticos ou pessoas com problemas circulatórios.
O interesse pelo desenvolvimento dos sensores surgiu a partir de resultados promissores obtidos com um sensor de pH. Segundo o pesquisador, “mudanças no pH podem trazer informações importantes sobre a evolução da ferida. Em muitos casos, a diminuição do pH está associada ao avanço da cicatrização, enquanto valores mais elevados podem estar relacionados a feridas crônicas e a condições que favorecem a proliferação de bactérias.”
Uso de melanina e grafeno
O sensor combina uma camada fina de melanina, um pigmento natural presente no organismo, com um eletrodo de grafeno. No dispositivo, o grafeno atua como material condutor, enquanto a melanina é sensível às mudanças ambientais, como variações de umidade e pH.
Essas alterações provocam mudanças químicas na melanina, que geram uma resposta elétrica mensurável pelo sensor. Essa interação cria uma ponte entre as características químicas do microambiente da ferida e os sinais elétricos captados pelo dispositivo.
Essa combinação foi testada em um estudo publicado na revista 2D Materials, que avaliou sensores flexíveis de pH baseados em grafeno e filme fino de melanina para aplicações fisiológicas, demonstrando o potencial da tecnologia para monitoramento em ambientes biológicos.
Desafios e próximos passos
Apesar dos avanços, o pesquisador destaca que ainda são necessários diversos testes para avaliar aspectos como estabilidade, segurança e reprodutibilidade dos sensores. A tecnologia ainda não está disponível para uso clínico e segue em desenvolvimento para verificar se a integração de múltiplos indicadores pode oferecer um acompanhamento mais detalhado da cicatrização no futuro.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



