Testosterona: 5 mitos sobre a reposição hormonal
Tratamento não é indicado para todo homem e exige diagnóstico, exames e acompanhamento médico por causa dos possíveis riscos.
A reposição de testosterona não é uma solução automática para o envelhecimento masculino, para o cansaço ou para melhorar a performance física. Segundo o cardiologista Fernando Rangel, do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas, o tratamento é indicado apenas quando existe hipogonadismo confirmado — condição que combina sintomas compatíveis com níveis persistentemente baixos do hormônio.
O alerta ganha importância durante o Setembro Vermelho, campanha de conscientização sobre a saúde do coração. Embora estudos recentes tenham ampliado o entendimento sobre a segurança cardiovascular da terapia, a testosterona não é isenta de riscos e precisa de indicação individualizada.
O que dizem os dados
Publicado em 2023 pelo New England Journal of Medicine, o estudo internacional TRAVERSE acompanhou mais de 5 mil homens entre 45 e 80 anos com hipogonadismo e doença cardiovascular ou alto risco cardiovascular.
Os resultados não mostraram aumento, em comparação com placebo, no conjunto de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC entre os participantes que receberam testosterona. Por outro lado, foram observadas maiores incidências de fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda. Na prática, o achado reforça a necessidade de selecionar cuidadosamente os pacientes e acompanhar o tratamento.
Cinco mitos e verdades
1. Todo homem acima dos 40 anos precisa de reposição — mito. A testosterona tende a cair cerca de 1% ao ano a partir dos 30 anos, mas o envelhecimento, sozinho, não justifica a terapia. A indicação depende de sintomas e de níveis inferiores a 300 ng/dL, confirmados em pelo menos dois exames de sangue.
2. A reposição sempre causa infarto e AVC — parcialmente mito. Em homens adequadamente selecionados, as evidências mais recentes não apontam aumento desses eventos cardiovasculares maiores. Ainda assim, pessoas com histórico ou fatores de risco precisam de avaliação cuidadosa.
3. A testosterona aumenta músculos em qualquer homem — mito. Os benefícios são mais relacionados a quem tem deficiência hormonal comprovada. Usar o hormônio com finalidade estética ou esportiva, quando os níveis são normais, não tem indicação médica e pode provocar efeitos adversos.
4. O tratamento causa câncer de próstata — mito. As evidências disponíveis não demonstram aumento do risco em homens adequadamente selecionados. Antes e durante a terapia, porém, é necessária avaliação da próstata e monitoramento periódico do PSA. Homens com câncer ou suspeita da doença não devem receber reposição.
5. Cansaço basta para indicar testosterona — mito. Fadiga, irritabilidade e dificuldade de concentração podem ter várias causas. Sintomas mais associados à deficiência hormonal incluem queda da libido, redução das ereções espontâneas, disfunção erétil, infertilidade, perda de pelos, anemia sem causa aparente e osteoporose.
Como resume Fernando Rangel: “A redução natural da testosterona decorrente do envelhecimento não significa, por si só, que o homem precise de tratamento.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



