Testosterona: quando a reposição é realmente indicada

Novo consenso de sociedades médicas brasileiras alerta contra uso do hormônio para libido, músculos, disposição ou performance

A testosterona tem sido cada vez mais associada a temas como ganho de massa muscular, libido, energia e envelhecimento. No entanto, um novo posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Medicina Sexual e Saúde (ABEMSS) reforça que o hormônio não deve ser tratado como suplemento ou atalho para melhorar a performance física ou estética.

O documento estabelece critérios claros para o diagnóstico do hipogonadismo masculino, condição caracterizada pela deficiência de testosterona, e destaca que a indicação para reposição hormonal deve ser feita apenas quando houver sintomas compatíveis associados a níveis hormonais comprovadamente baixos.

Critérios para investigação e diagnóstico

O diagnóstico não deve se basear em um sintoma isolado, como cansaço, baixa libido ou falta de disposição, pois esses podem ter outras causas. O exame para dosagem da testosterona deve ser realizado pela manhã, entre 7h e 10h, e um resultado baixo precisa ser confirmado com uma nova avaliação antes de estabelecer o diagnóstico.

Além disso, sintomas e exames laboratoriais devem ser avaliados em conjunto, e a investigação deve ser individualizada para identificar possíveis causas da alteração hormonal. O consenso considera valores abaixo de 264 ng/dL como suporte bioquímico para o diagnóstico de hipogonadismo, enquanto concentrações acima de 350 ng/dL tendem a afastar a condição.

Libido e outros fatores influentes

A testosterona participa da regulação do desejo sexual, mas a queda da libido isoladamente não indica necessariamente deficiência hormonal. Estresse, falta de sono, ansiedade, depressão, uso de medicamentos e outras condições podem afetar o desejo sexual.

Além disso, fatores como qualidade do sono, alimentação, prática regular de exercícios físicos e a conexão emocional do casal também influenciam a vida sexual, aspectos que a reposição hormonal não substitui.

Lucimar Ghelfi, psicóloga e psicoterapeuta sexual, destaca que "antes de pensar em reposição, é preciso entender por que aquele homem está com determinado sintoma e se existe, de fato, uma deficiência hormonal. Usar testosterona como um atalho para performance pode fazer com que outras causas deixem de ser investigadas e levar a um tratamento sem indicação".

Riscos do uso inadequado

O documento alerta que a testosterona não deve ser usada por homens sem hipogonadismo para melhorar desempenho físico, ganhar massa muscular, aumentar disposição, perder peso, melhorar controle glicêmico ou retardar o envelhecimento.

O uso sem diagnóstico, especialmente em doses superiores às produzidas naturalmente pelo organismo, está associado a complicações graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), trombose e embolia pulmonar.

Por isso, sintomas relacionados à libido e energia devem ser avaliados por profissionais de saúde, evitando a automedicação e o uso inadequado do hormônio.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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