Mobilidade afeta trabalho e lazer de 89% das mulheres
Pesquisa com 564 brasileiras revela como segurança, tempo, custo e território influenciam escolhas diárias
Para muitas mulheres, aceitar um emprego, frequentar um curso ou sair à noite começa com uma pergunta prática: como chegar e voltar com segurança? Segundo a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, 89% das entrevistadas afirmam que a mobilidade influencia diretamente as oportunidades que conseguem acessar.
Realizado pela Indique, em parceria com a Think Eva e a 99, o estudo ouviu 564 mulheres de diferentes idades, classes sociais e regiões do Brasil. A pesquisa também contou com uma etapa qualitativa, com outras 49 participantes, e analisou como segurança, tempo, custo e território interferem nas decisões do dia a dia.
Oportunidades interrompidas
Os impactos aparecem em áreas essenciais da vida. Entre as entrevistadas, 54% já evitaram ou recusaram um compromisso de trabalho por causa do deslocamento. Outras 39% recusaram um emprego ou oportunidade, enquanto 21% desistiram de um curso ou faculdade por dificuldades para ir e vir.
Na vida pessoal, 80% disseram já ter deixado de participar de compromissos, eventos ou atividades pelo mesmo motivo. Entre elas, 69% deixaram de sair à noite, 33% evitaram atividades físicas ou de lazer e 32% deixaram de visitar familiares ou amigos.
Medo muda os trajetos
A insegurança ou a violência foi apontada por 32% das mulheres como um dos principais fatores que limitam a liberdade de circulação. O índice ficou acima da falta de dinheiro, citada por 22%, da ausência de transporte público de qualidade, mencionada por 15%, e da distância dos destinos, indicada por 14%.
O receio também altera comportamentos. De acordo com o levantamento, 87% evitam determinados bairros ou regiões, 73% planejam o horário de saída pensando na própria segurança, 63% já evitaram algum meio de transporte e 60% mudaram de rota por insegurança.
O assédio aparece em diferentes modais: 89% relatam ter passado por essa situação em pelo menos um deles. Os maiores índices foram registrados no ônibus (68,8%), nos deslocamentos a pé (60,8%) e no metrô ou trem (50,2%).
Uma “inteligência urbana”
Para circular, as mulheres desenvolvem estratégias que o estudo chama de “inteligência urbana”. Antes e durante o trajeto, elas avaliam horário, iluminação, fluxo de pessoas, distância, custo, meio de transporte, possibilidade de assédio ou assalto, local para sentar e ponto de descida.
“Gasto muita energia me preparando para uma situação que talvez nem aconteça – por exemplo, no ônibus eu fico pensando muito onde vou sentar”, relata uma participante de Recife.
O levantamento indica ainda que 68% das entrevistadas não têm veículo próprio e 52% passam mais de uma hora por dia em deslocamentos. Os dados reforçam que o direito de ir e vir está ligado não apenas à segurança, mas também ao acesso ao trabalho, à educação, ao lazer e à autonomia.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



