Emagrecer depois dos 60: como preservar força e saúde

Perder peso na terceira idade exige mais do que reduzir calorias: veja riscos das dietas restritivas e cuidados para preservar músculos.

Depois dos 60 anos, emagrecer não deve ser apenas uma questão de ver o número da balança diminuir. Dietas muito restritivas, jejuns prolongados e cortes radicais na alimentação podem levar à perda de massa muscular, fraqueza e redução da autonomia — justamente em uma fase em que preservar força e funcionalidade é essencial.

Segundo a nutricionista Pammela Vilela (CRN 23035), da Clínica Nutricor, o processo precisa considerar a condição geral da pessoa idosa e o que está sendo perdido durante o emagrecimento. “Uma perda de peso inadequada pode levar à perda de massa muscular, fraqueza, maior risco de quedas, piora da autonomia e até aumentar o risco de desnutrição”, explica.

O risco das dietas restritivas

Com o envelhecimento, o organismo passa por mudanças na composição corporal e na capacidade funcional. Por isso, reduzir demais a ingestão de alimentos pode provocar falta de proteínas, energia, vitaminas, minerais e líquidos.

Entre os erros mais comuns estão pular refeições, fazer jejuns longos, retirar grupos alimentares e trocar refeições completas por opções de baixo valor energético. Embora essas estratégias possam fazer o peso cair, elas também podem dificultar o consumo adequado de nutrientes.

“Quando a ingestão fica muito reduzida, pode faltar proteína, energia e micronutrientes importantes”, alerta Pammela. A proteína é importante, mas não deve ser analisada sozinha: a alimentação precisa ser equilibrada e suficiente para as necessidades individuais.

Força também entra na conta

A atividade física, especialmente os exercícios de força, integra o cuidado e deve ser adaptada às condições clínicas e à capacidade funcional de cada pessoa. Diretrizes da ESPEN consideram estratégias de perda de peso principalmente para idosos com obesidade associada a problemas de saúde, combinadas à prática de exercícios.

Em situações específicas, as necessidades de proteína podem ser maiores. A ESPEN utiliza, por exemplo, metas de 1,2 a 1,5 grama por quilo de peso corporal por dia para idosos hospitalizados com múltiplas doenças e necessidade de suporte nutricional. Essa referência não deve ser aplicada automaticamente a todos: função renal, doenças associadas, estado nutricional e nível de atividade física precisam ser avaliados.

Sinais que merecem atenção

Perda de peso rápida, involuntária ou acompanhada de queda importante no apetite deve ser investigada. Cansaço excessivo, redução da força, quedas frequentes, dificuldade para realizar tarefas antes simples e perda progressiva de massa muscular também são sinais de alerta.

“Às vezes, a família comemora porque o idoso ‘emagreceu’, mas aquela perda pode não ser de gordura. Pode existir perda muscular ou até um quadro de desnutrição associado”, explica a nutricionista.

Como avaliar o emagrecimento

O peso corporal não deve ser o único indicador. A avaliação pode incluir composição corporal, circunferências, força, capacidade funcional, ingestão alimentar, hidratação, exames laboratoriais, doenças existentes e medicamentos em uso.

Antes de iniciar uma dieta restritiva, jejum ou qualquer estratégia para perder peso, a orientação profissional é fundamental. Médico, nutricionista e, quando necessário, fisioterapeuta ou profissional de exercícios podem contribuir para um plano que priorize não apenas pesar menos, mas manter saúde, força e independência.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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