Setembro multicor: o elo entre mente, memória e coração

Setembro Amarelo, Lilás e Vermelho destacam prevenção, diagnóstico e cuidado contínuo em saúde mental, neurológica e cardiovascular

Setembro concentra três campanhas de saúde fundamentais no Brasil: o Setembro Amarelo, focado na saúde mental e prevenção do suicídio; o Setembro Lilás, dedicado à conscientização sobre o Alzheimer; e o Setembro Vermelho, que alerta para as doenças cardiovasculares. Apesar dos temas distintos, essas agendas se interligam na importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo.

Os dados ilustram a magnitude desses desafios. Conforme o inquérito Covitel, disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane, 26,8% da população brasileira convive com transtorno de ansiedade. A Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE apontou um aumento na prevalência de depressão autorreferida entre adultos, de 7,6% em 2013 para 10,2% em 2019.

Na área neurológica, o Relatório Nacional sobre Demência estima que cerca de 2,71 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais vivem com demência, representando aproximadamente 8,5% desse grupo, com projeção de 5,6 milhões para 2050. Já as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no país, responsáveis por cerca de 30% dos óbitos.

O sistema endocanabinoide como ponto de convergência

O sistema endocanabinoide é uma rede complexa de receptores, enzimas e moléculas produzidas pelo próprio organismo, presente no cérebro, sistema imunológico e vasos sanguíneos. Ele desempenha papel regulatório na modulação do estresse, sono, dor, inflamação e excitabilidade neuronal.

Por essa razão, pesquisas investigam sua atuação em condições como ansiedade, demências e inflamação vascular. Contudo, isso não implica em uma terapia única para todas essas doenças. Há evidência clínica promissora para o uso de canabinoides na ansiedade, enquanto os dados para depressão resistente, estresse pós-traumático e sintomas comportamentais em demências ainda são preliminares e requerem cautela.

Guilherme Marques, diretor médico da Cannect, destaca que “a indicação de canabinoides, quando existente, deve ser integrada ao plano terapêutico e acompanhada pelo profissional responsável, pois esse tratamento não substitui o acompanhamento psiquiátrico ou neurológico convencional”.

Prevenção e cuidado integrados

No contexto do Setembro Amarelo, a prevenção ao suicídio envolve acesso a serviços de saúde, rede de apoio e acompanhamento contínuo, não se resumindo à escolha isolada de medicamentos. No âmbito cardiovascular, não há evidência clínica que sustente o uso de canabinoides como método preventivo. O debate relaciona-se indiretamente a fatores como estresse crônico e privação de sono, reconhecidos como riscos para hipertensão e eventos cardíacos.

Além disso, formulações contendo THC exigem avaliação cardiológica prévia devido a seus efeitos conhecidos sobre frequência cardíaca e pressão arterial. Em 2026, a Anvisa regulamentou a cadeia da cannabis medicinal no Brasil, incluindo a RDC 1.013/2026, que disciplina o cultivo nacional para fins medicinais e de pesquisa, em vigor desde agosto.

Um desafio comum às três campanhas é a fragmentação do cuidado ao paciente crônico, que frequentemente convive com múltiplas condições, como ansiedade, insônia, dor e hipertensão, e acaba recebendo tratamentos separados, o que pode comprometer a adesão e os resultados.

Assim, a mensagem central dessas campanhas é clara: o diagnóstico precoce e a continuidade do tratamento são fundamentais para melhorar os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos pacientes.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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