Costura e saúde mental: como Larissa encontrou uma pausa
Após diagnósticos de burnout, estresse pós-traumático e depressão, enfermeira encontrou na costura um espaço de criação, convivência e respiro
Em meio ao tratamento de burnout, transtorno de estresse pós-traumático e depressão, a enfermeira Larissa Galdino dos Santos encontrou na costura uma forma de reservar tempo para si. A atividade, iniciada há dois anos no Clube de Costura, em Goiânia, passou a representar uma pausa na rotina e uma oportunidade de criar, aprender e conviver.
Larissa, que trabalha como enfermeira emergencista, intensivista e servidora pública, já fazia tratamento psiquiátrico e psicoterapia quando decidiu retomar um sonho antigo. A costura entrou em sua semana como uma atividade prazerosa, sem substituir o cuidado profissional em saúde mental.
Um intervalo na rotina
Durante as aulas, a atenção se volta para tarefas como escolher tecidos, cortar materiais, preparar a máquina e acompanhar cada ponto. Para Larissa, esse processo ajuda a se concentrar no presente e a se afastar temporariamente das preocupações do cotidiano.
“Por um determinado momento não existem os problemas cotidianos. É o seu momento, e nele você se desconecta do seu mundo particular. Tirar esse tempo para exercer outra função diferente da sua habitual te desafia a sair de um lugar turbulento e migrar para um cheio de novas possibilidades”, afirma.
Segundo a enfermeira, a sensação de relaxamento continua depois da aula. Ela conta que percebe mudanças no próprio semblante e já começa a pensar no que gostaria de aprender no encontro seguinte. A expectativa pela aula também passou a contribuir para melhorar seu humor ao longo da semana.
Aprender sem medo
O início não foi simples. Larissa relata que a máquina parecia difícil de entender e que os primeiros pontos não saíam como imaginava. Com a orientação da professora Sílvia e a continuidade das aulas, porém, ela passou a produzir as próprias peças.
“Só vá costurar. No começo você acha que não vai dar certo, seus pontos são ruins, a máquina parece algo indecifrável. Mas a professora vai te conduzindo de uma forma tão doce e coesa que, quando menos se espera, você está fazendo suas próprias peças”, diz.
Além do aprendizado técnico, o espaço abriu caminho para novas relações. Larissa passou a compartilhar histórias, dificuldades e momentos de descontração com outras pessoas das aulas. Ela também destaca o ambiente acolhedor e a didática da professora.
“É muito satisfatório criar uma peça. É um pouco da tradução da própria vida da gente. Somos todos retalhos alinhavados pelo tempo e assim nos tornamos uma grande colcha de retalhos”, destaca.
Atividade não substitui tratamento
Para Rogélia Pinheiro, gerente do Clube de Costura, atividades manuais podem oferecer convivência e satisfação, mas não devem ser confundidas com tratamento médico. “A costura não substitui uma prescrição médica, mas acreditamos que ter uma atividade que traz satisfação e reservar um tempo para si podem fazer parte de uma rotina de cuidado”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



