TDAH em adultos: por que o autodiagnóstico pode falhar

Especialista alerta para diferenças entre TDAH, excesso de telas, privação de sono e alterações de humor em adultos

Vídeos curtos e publicações nas redes sociais popularizaram as conversas sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), mas também aumentaram o risco de autodiagnósticos equivocados. Em adultos, a avaliação clínica precisa considerar o início dos sintomas, os contextos em que aparecem e o impacto na rotina diária.

O principal desafio é distinguir o TDAH de alterações de atenção causadas pelo excesso de estímulos digitais, privação de sono e alterações de humor. O diagnóstico do TDAH é clínico, sem biomarcadores específicos, e requer a reconstrução da história do paciente desde a infância.

O que diferencia o TDAH

De acordo com o neurologista Dr. Raphael Spera, “O TDAH no adulto é real, frequente e subdiagnosticado: atinge cerca de 2,5 a 3% da população adulta, persiste em até 70% dos casos infantis e, ainda assim, a maioria desses adultos nunca recebe diagnóstico, sobretudo mulheres e pessoas acima dos 50 anos.”

Na vida adulta, a hiperatividade pode se manifestar como inquietação interna, fala acelerada, impaciência e dificuldade para relaxar, em vez da agitação visível típica da infância. A desatenção pode se apresentar por meio de desorganização crônica, procrastinação, dificuldade em administrar tempo e prioridades, esquecimentos frequentes e projetos iniciados e abandonados.

Além disso, desregulação emocional, baixa tolerância à frustração e impulsividade em decisões financeiras e relacionais também podem integrar o quadro clínico. No entanto, esses sinais isolados não são suficientes para confirmar o diagnóstico de TDAH.

Telas e qualidade do sono

A exposição constante a notificações, mudanças rápidas de foco e múltiplas mídias pode prejudicar a atenção e a memória de trabalho. Quando o uso de dispositivos digitais se torna problemático, os prejuízos podem afetar funções semelhantes às comprometidas pelo TDAH, como atenção, controle inibitório e memória de trabalho.

A diferença fundamental está na trajetória dos sintomas: o TDAH começa na infância, é crônico e se manifesta em diversos contextos, enquanto a desatenção relacionada ao estilo de vida surge mais tarde, acompanha o aumento do uso de telas, piora com a privação de sono e humor deprimido, e melhora quando esses fatores são corrigidos.

Por que a história importa

Memórias da infância podem ser insuficientes para reconstruir o passado com precisão. Sempre que possível, informações de familiares ou pessoas próximas ajudam a identificar se os sintomas já estavam presentes na infância.

Queixas que surgem apenas na vida adulta, sem uma história infantil compatível, merecem investigação cuidadosa. O mesmo vale para pessoas mais velhas, cujos sintomas podem ser atribuídos ao envelhecimento ou confundidos com comprometimento cognitivo leve.

O tema será discutido no XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia – Neuro 26, promovido pela Academia Brasileira de Neurologia, de 7 a 10 de outubro de 2026, no Centro de Convenções Windsor Barra, no Rio de Janeiro. O Dr. Raphael Spera participará de uma mesa-redonda sobre TDAH no adulto, abordando diagnóstico, manifestações na vida adulta e os desafios do ambiente digital.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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