NR-1: o que muda para a saúde mental no trabalho

Com o fim da suspensão pelo STF, empresas retomam a pressão para mapear riscos psicossociais, como sobrecarga, assédio e jornadas excessivas.

A saúde mental voltou ao centro das obrigações trabalhistas. Com o fim da suspensão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 23 de setembro de 2026, as empresas passam a estar novamente sujeitas a sanções relacionadas ao cumprimento das mudanças da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).

Na prática, o tema deixa de ser tratado apenas como benefício corporativo ou ação pontual de bem-estar. As organizações precisam avançar na identificação e no gerenciamento de riscos psicossociais, que podem incluir sobrecarga, jornadas excessivas, cobranças, assédio e problemas nas relações profissionais.

O tamanho do desafio

Um levantamento da Heach Recursos Humanos com 1.730 empresas brasileiras mostra que sete em cada dez organizações ainda não entendem completamente o que muda com a atualização da NR-1. Além disso, 62% não possuem indicadores formais para identificar e monitorar riscos psicossociais.

O cenário também chama atenção pelo crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental. Dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), com base em informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apontam que as licenças médicas superiores a 15 dias por problemas mentais passaram de 219.850, em 2023, para 393.670 até novembro de 2025. A alta foi de 79%.

Prevenção contínua

Para Elinee Ferreira, líder de Recursos Humanos, ESG e People Experience do Grupo EP, a mudança exige que as empresas avaliem as condições de trabalho, e não apenas o comportamento ou a saúde individual dos funcionários.

“A NR-1 marca o fim de um modelo confortável para muitas empresas, em que saúde ocupacional era tratada de forma reativa e fragmentada. Não há mais espaço para isso. Ou o tema entra na estratégia do negócio, com métricas, responsáveis e acompanhamento contínuo, ou o custo dessa omissão vai aparecer, seja em produtividade, seja em reputação”, afirma.

O Grupo EP realizou um mapeamento psicossocial interno e, a partir dele, criou planos de ação. A área “Nosso Jeito de Cuidar” reúne iniciativas voltadas às saúdes física, mental, emocional e financeira. Entre os programas estão o Acolhe+, dedicado à escuta e ao acolhimento, e as Pílulas de Bem-Estar, com conteúdos de conscientização.

Saúde no trabalho

A Unimed do Brasil também atua com a UnIA, solução do SOU – Saúde Ocupacional Unimed voltada ao mapeamento de fatores psicossociais e à identificação e classificação de riscos no ambiente organizacional.

Para Eder Balliari, médico responsável pelo SOU, a NR-1 amplia o olhar sobre a saúde ocupacional, especialmente em setores de alta pressão. A discussão, portanto, envolve não só conformidade, mas também liderança, cultura, condições de trabalho e prevenção.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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