Apostas online elevam inadimplência em 40% entre brasileiros

Levantamento com 1,3 milhão de associados revela impacto das apostas no orçamento familiar

O hábito de apostar online, que muitas vezes começa com valores pequenos, pode desencadear um efeito cascata no orçamento doméstico, comprometendo desde contas básicas até reservas de emergência. Um levantamento realizado pelo Sicredi com 1,3 milhão de associados apontou que a inadimplência é 40% maior entre aqueles que realizaram apostas online em 2025. Além disso, o risco aumenta conforme a frequência e o montante apostado.

Esse cenário se agrava diante da situação financeira das famílias brasileiras. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo indicam que, em agosto de 2026, 82% das famílias tinham dívidas a vencer. Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 85,1% estavam endividadas, e 38,8% apresentavam contas atrasadas.

Formas indiretas de endividamento

O impacto das apostas nem sempre aparece como uma dívida diretamente associada ao jogo. Segundo Rodrigo Mandaliti, presidente do Instituto de Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (IGEOC), o prejuízo pode se manifestar na fatura do cartão de crédito, no uso do limite da conta corrente, no atraso de prestações ou na contratação de empréstimos para cobrir despesas básicas. “Isso torna o problema menos visível, mas não menos grave”, destaca.

A tentativa de recuperar perdas por meio de novas apostas pode aprofundar o comprometimento financeiro, já que as despesas essenciais continuam vencendo enquanto o consumidor busca reaver o dinheiro perdido.

João Vitor Mazzarino Pontes, corretor de seguros e especialista em planejamento financeiro, explica que “o risco não está somente no valor perdido, mas na origem do dinheiro. Quando a aposta compromete recursos destinados a contas ou à reserva de emergência, pode gerar atraso, juros e necessidade de crédito”.

Expansão das apostas e medidas governamentais

Dados do Ministério da Fazenda, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que até agosto de 2026, 43,8 milhões de brasileiros haviam apostado em plataformas autorizadas, o que corresponde a 27% da população adulta. No primeiro semestre do ano, os depósitos nessas plataformas somaram R$ 88,5 bilhões, enquanto os prêmios pagos totalizaram R$ 68,3 bilhões. Esses números não incluem plataformas ilegais.

O tema também tem sido discutido pelo governo federal. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a adoção de medidas mais rigorosas, incluindo restrições à publicidade e aos jogos de cassino online, além do fortalecimento de mecanismos de proteção aos apostadores.

Desde janeiro de 2025, os operadores autorizados precisam cumprir exigências relacionadas à identificação dos apostadores, publicidade responsável, prevenção à lavagem de dinheiro e promoção do jogo responsável.

Orientações para quem enfrenta dificuldades

Para aqueles que já comprometeram o orçamento com apostas, a recomendação é interromper as apostas e avaliar o tamanho do prejuízo, sem contar com ganhos futuros. Em seguida, é importante priorizar as despesas essenciais e negociar primeiro as dívidas com juros mais altos.

Rodrigo Mandaliti alerta para a rapidez com que a situação pode se agravar: “Para famílias com a renda comprometida, a distância entre uma aposta aparentemente pequena e uma dívida difícil de pagar pode ser de apenas alguns cliques”.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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