Saúde do cérebro: hábitos para cuidar em todas as idades
Encontro em São Paulo discutiu diagnóstico, reserva cognitiva, atenção, hábitos e formas de cuidado com a saúde cerebral ao longo da vida.
Cuidar da saúde do cérebro não deveria começar apenas quando surgem falhas de memória. Essa foi uma das principais mensagens da 8ª edição do Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro, realizada em São Paulo durante o Setembro Lilás, período dedicado à conscientização sobre a doença de Alzheimer e outras demências.
Promovido pelo Supera-Estimulação Cognitiva e pela Associação Brasileira de Gerontologia (ABG), o encontro reuniu profissionais de neurologia, geriatria, psicologia e gerontologia. O objetivo foi ampliar o olhar sobre a saúde cerebral, mostrando que ela envolve diferentes fases da vida, e não apenas o diagnóstico de doenças.
Diagnóstico além da memória
Entre os temas debatidos estiveram as diferenças entre o comprometimento cognitivo leve e os quadros de demência. O neurologista Marcelo Houat explicou que uma investigação adequada considera o histórico clínico, a avaliação das funções cognitivas e da autonomia, a busca por possíveis causas tratáveis e exames de imagem.
Isso reforça a importância de procurar avaliação profissional diante de alterações persistentes, analisando cada caso de forma ampla, considerando a rotina, a independência e as condições gerais de saúde da pessoa.
Hábitos ao longo da vida
A geriatra Sumika Mori Lin destacou a importância de construir reserva cognitiva desde a infância e juventude. Esse cuidado deve continuar nas fases seguintes, com atenção à saúde cardiovascular e metabólica, à atividade física, ao sono, aos vínculos sociais e aos sentidos.
O conceito de Medicina do Estilo de Vida também foi abordado, ressaltando que alimentação, movimento, manejo do estresse, relações sociais e redução da exposição a substâncias de risco são aspectos que podem ser trabalhados ao longo da vida para promover a saúde cerebral.
Envelhecer e manter a atenção
A psicóloga e neurocientista Sharon Simon falou sobre mudanças cognitivas que podem ocorrer com o envelhecimento, como alterações na velocidade de processamento e na atenção. Ao mesmo tempo, destacou habilidades que podem se fortalecer com a idade, como vocabulário, linguagem, tomada de decisão e aspectos ligados à experiência social.
Também foi discutido o impacto da multitarefa em uma rotina marcada por estímulos digitais. Alternar constantemente entre atividades pode comprometer a concentração e aumentar a ocorrência de erros, tornando úteis estratégias de organização e gerenciamento da atenção.
Afeto também é cuidado
As discussões incluíram políticas públicas e modelos de atendimento. O Centro Dia Synval Santos, em Volta Redonda, foi apresentado como exemplo de cuidado multidisciplinar para pessoas idosas com demência, reunindo estimulação, acompanhamento profissional, participação familiar e manutenção dos vínculos sociais.
O evento foi encerrado com a participação da atriz e diretora Beth Goulart, embaixadora do Supera, em um painel sobre a importância do afeto no tratamento da pessoa com doença de Alzheimer. Para Luiz Moraes, diretor de Relações Institucionais do Supera e um dos curadores do encontro, “Enquanto não houver cura, a prevenção não é uma das opções, é a única. Essa é a proposta do Supera, levar informação para que nós possamos trabalhar o aspecto da prevenção.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



