Reprodução assistida: quando buscar apoio emocional

Infertilidade e tratamentos podem gerar ansiedade, culpa e estresse; veja sinais de alerta e formas de cuidar da saúde mental.

A jornada da reprodução assistida é marcada pela esperança de realizar o sonho da maternidade ou paternidade, mas também pode trazer insegurança, ansiedade e sofrimento emocional. A infertilidade e o tempo de espera pelo tratamento reprodutivo frequentemente envolvem sentimentos como culpa, estresse e tristeza, que impactam a autoestima, os relacionamentos e a vida profissional.

A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) reconhece a importância do acompanhamento por profissionais de saúde mental especializados durante esse processo, especialmente diante da espera e dos resultados negativos. Esse cuidado, ainda considerado tabu em parte da assistência em reprodução humana, tem ganhado espaço à medida que se entende a dimensão emocional e relacional da jornada reprodutiva, além da médica.

Quando buscar ajuda

Segundo Camila Gaspar, psicóloga perinatal e da reprodução assistida da Clínica Genics, o acompanhamento psicológico pode começar de forma preventiva, não apenas quando o sofrimento já é intenso. Esse espaço permite que a pessoa compreenda e elabore as emoções envolvidas, encontrando recursos para lidar com as incertezas e mudanças do processo.

A avaliação do sofrimento deve considerar a intensidade e duração dos sintomas, o contexto em que surgem e os impactos na rotina e funcionamento da pessoa. Assim, é possível distinguir entre um sofrimento esperado diante de uma experiência difícil e um quadro que requer atenção clínica.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024 no Archives of Gynecology and Obstetrics, que reuniu 44 estudos com 53.300 mulheres com infertilidade, apontou prevalência de 22,9% para transtorno depressivo maior, 13,3% para ansiedade generalizada, 78,8% para estresse e 31,6% para sintomas depressivos aferidos por escalas.

Culpa e comparação

Durante a jornada da infertilidade, a notícia da gravidez de alguém próximo pode despertar sentimentos contraditórios. É possível desejar sinceramente a felicidade do outro e, ao mesmo tempo, sentir tristeza pela própria situação, sem que isso signifique egoísmo ou falta de carinho.

Camila Gaspar destaca que reconhecer e validar esses sentimentos, sem transformá-los em julgamento moral, é fundamental para o cuidado emocional. A culpa pode surgir quando a pessoa acredita que deveria sentir apenas alegria diante da gravidez alheia, mas é importante entender que emoções diferentes podem coexistir.

Homens também sofrem

A infertilidade provoca sentimentos como tristeza, medo, culpa e sensação de impotência tanto em homens quanto em mulheres. A principal diferença está na forma como esses sentimentos são socialmente permitidos e expressos.

Nos homens, o sofrimento pode se manifestar de forma menos evidente, por meio de silêncio, irritabilidade, isolamento, dedicação excessiva ao trabalho ou uso de substâncias. Já nas mulheres, o sofrimento tende a ser mais verbalizado e associado a sintomas de ansiedade e depressão, com maior espaço social para buscar apoio.

Em setembro, mês da campanha de prevenção ao suicídio, especialistas orientam que o sofrimento persistente deve ser levado a um profissional de saúde mental. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) realizam acompanhamento na rede pública.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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