Internações por doenças crônicas: 1 em 9 teve complicação adquirida no hospital
Levantamento destaca riscos durante a hospitalização e a importância do cuidado contínuo antes e após a alta
Um levantamento realizado pela Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, revelou que aproximadamente uma em cada nove internações por doenças crônicas sensíveis à atenção primária apresentou alguma condição adquirida durante a hospitalização. O estudo analisou 814.155 internações ocorridas entre janeiro de 2021 e junho de 2026, destacando a importância da segurança no cuidado antes, durante e após a passagem pelo hospital.
As internações avaliadas foram consideradas potencialmente evitáveis, pois estavam relacionadas a doenças sensíveis à atenção primária, como diabetes mellitus, hipertensão, insuficiência cardíaca, asma e doenças cerebrovasculares. Isso indica que um acompanhamento oportuno e contínuo pode contribuir para evitar parte dessas hospitalizações, embora nem todas sejam preveníveis.
Riscos durante a hospitalização
Do total de internações analisadas, 10,9% dos pacientes desenvolveram alguma condição adquirida que não estava presente na admissão e não era esperada como consequência do quadro clínico inicial. Em 4,1% dos casos, a condição adquirida foi classificada como grave, associada ao aumento do risco de óbito, prolongamento da permanência hospitalar ou possibilidade de sequelas permanentes.
A mortalidade intrahospitalar geral foi de 6,7%. Entre os pacientes com condição adquirida grave, a taxa de mortalidade chegou a 33,4%, enquanto entre aqueles sem essa condição foi de 5,6%. O levantamento ressalta que essa diferença, aproximadamente seis vezes maior, evidencia um grupo de elevada vulnerabilidade durante a hospitalização, sem estabelecer uma relação direta de causalidade entre a complicação e o óbito.
“A diferença de mortalidade observada entre pacientes com e sem condição adquirida grave evidencia um grupo de elevada vulnerabilidade durante a hospitalização”, afirmou Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde.
Doenças mais frequentes e perfil dos pacientes
As doenças cerebrovasculares foram o grupo mais frequente, representando 25,3% das internações, seguidas pela insuficiência cardíaca (19,3%) e angina (15,7%). Outros diagnósticos incluíram diabetes mellitus (10,4%), doenças pulmonares (10,1%), epilepsias (8,3%), asma (7,7%) e hipertensão (3,1%). A idade média dos pacientes era próxima de 60 anos, com predominância de pessoas com 60 anos ou mais.
A permanência hospitalar média foi de 7,4 dias, e 32,7% dos pacientes passaram pelo Centro de Terapia Intensiva (CTI). No total, foram contabilizadas mais de 6 milhões de diárias hospitalares, com custo assistencial estimado em cerca de R$ 12,8 bilhões.
Continuidade do cuidado após a alta
A segurança do paciente não termina com a alta hospitalar. O levantamento identificou que 2,2% das internações resultaram em readmissão por recaída ou complicação em até 30 dias. Para pessoas com doenças crônicas, o acompanhamento após a alta, a comunicação entre os serviços de saúde e a continuidade do tratamento são fundamentais para reduzir novas descompensações e readmissões.
O estudo, observacional, retrospectivo e descritivo, utilizou exclusivamente dados da Plataforma DRG Brasil e foi divulgado no contexto do Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro. A campanha de 2026 tem como tema “Cuidados seguros durante toda a vida!”, reforçando a importância da segurança desde a atenção primária até o cuidado hospitalar e o acompanhamento após a alta.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



