IA nos estudos: como preservar a autonomia dos alunos
48% dos estudantes brasileiros de 15 anos usam IA semanalmente, aponta Pisa
A inteligência artificial (IA) já faz parte da rotina escolar de quase metade dos estudantes brasileiros avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Segundo dados divulgados em 8 de setembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 48% dos alunos de 15 anos no Brasil utilizam ferramentas de IA ao menos uma vez por semana para auxiliar nos estudos.
Esse índice está próximo da média dos países membros da OCDE, que é de 46%. Mais do que discutir a presença da tecnologia no ambiente escolar, o cenário atual levanta um desafio importante para famílias e escolas: como usar a IA sem transformar o aprendizado em uma simples busca por respostas prontas?
Formas de uso da IA pelos estudantes
Entre os estudantes brasileiros, 40% recorrem à inteligência artificial para realizar pesquisas iniciais sobre temas novos. Outros 31% utilizam a tecnologia para resumir textos, enquanto 27% a empregam na elaboração de rascunhos de trabalhos escolares. Apenas 11% afirmam nunca ou quase nunca usar chatbots nas atividades avaliadas.
Esses dados indicam que a IA já está integrada ao cotidiano de muitos adolescentes, seja para iniciar uma pesquisa, compreender um conteúdo ou organizar uma produção escrita. O levantamento também aponta que o desempenho escolar varia conforme a finalidade e a forma como a IA é incorporada aos estudos, sem estabelecer uma relação direta de causa e efeito.
O papel da mediação pedagógica
Marizane Piergentile, diretora da Rede Adventista de Educação para a região do Vale do Paraíba, destaca que a prioridade deve ser acompanhar o processo de aprendizagem, e não apenas o resultado final. Segundo ela, “quando o aluno tem acesso imediato a uma resposta, precisamos olhar ainda mais para o processo que vem antes dela. Ele deve compreender o que lê, saber formular perguntas, confrontar informações, justificar escolhas e explicar com as próprias palavras aquilo que aprende”.
Na prática, isso implica propor atividades em que o estudante precise explicar como chegou a uma conclusão, indicar referências e revisar criticamente o conteúdo produzido por uma ferramenta. A escola também pode orientar sobre a confiabilidade das fontes, possíveis erros nas respostas e critérios de autoria.
Uso ativo e consciente da tecnologia
A IA pode ser uma aliada quando exige participação real do aluno. Exemplos incluem comparar duas explicações sobre o mesmo tema, identificar erros em uma resposta gerada, receber comentários sobre um texto próprio e simular uma conversa em outro idioma. Nesses casos, a tecnologia funciona como apoio para análise, prática e revisão, e não como substituta da tarefa intelectual.
“O ponto mais importante é entender de que forma ela entra na rotina de estudos e se está ajudando o estudante a aprender ou apenas encurtando etapas que ele ainda precisa desenvolver”, explica Piergentile.
Para as famílias, o alerta é acompanhar o uso da IA sem tratá-la apenas como vilã ou solução. Perguntar o que foi pesquisado, quais fontes foram consultadas e como o adolescente chegou à resposta ajuda a preservar autonomia, pensamento crítico e compreensão verdadeira do conteúdo.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



