Canetas emagrecedoras: alerta para crianças e adolescentes

Medicamentos podem ter indicação em casos específicos, mas exigem avaliação médica, acompanhamento do crescimento e atenção aos efeitos colaterais.

A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” chegou também às famílias de crianças e adolescentes, mas o uso desses medicamentos não deve ser tratado como uma solução rápida para perder peso. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) alerta que eles podem fazer parte do tratamento da obesidade e de algumas condições metabólicas em pacientes pediátricos, desde que exista indicação médica e acompanhamento especializado.

Usar essas medicações por conta própria ou apenas para atender a um padrão estético pode trazer riscos justamente em uma fase marcada por crescimento e desenvolvimento. A avaliação, portanto, precisa ir muito além do número apresentado na balança.

Indicações variam

Segundo nota de alerta publicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 24 de agosto, as indicações pediátricas mudam conforme o medicamento. A liraglutida pode ser utilizada no tratamento da obesidade em adolescentes a partir dos 12 anos e com peso superior a 60 quilos. Ela também possui indicação para diabetes mellitus tipo 2 a partir dos 10 anos.

A semaglutida tem indicação para obesidade a partir dos 12 anos e peso superior a 60 quilos. Já a tirzepatida possui indicação pediátrica para diabetes mellitus tipo 2 a partir dos 10 anos.

A existência dessas opções não significa que elas possam ser usadas indiscriminadamente. “Apesar de nosso arsenal terapêutico estar cada vez melhor, não existe solução mágica. Um emagrecimento saudável e consistente também exige mudança de estilo de vida”, afirma Guilherme Guaragna Filho, endocrinologista pediátrico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Riscos do uso sem orientação

Entre as possíveis consequências do uso sem acompanhamento especializado estão hipoglicemia, alterações dos eletrólitos, perda de massa magra, prejuízos ao crescimento e alterações menstruais em meninas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria também chama atenção para efeitos gastrointestinais, como:

  • náuseas e vômitos;
  • refluxo;
  • diarreia e constipação;
  • pancreatite e problemas na vesícula, em situações potencialmente mais graves.

Avaliação completa

Antes de considerar qualquer medicamento, é necessário realizar exame físico completo, observando o estágio da puberdade, o crescimento e o desenvolvimento. Avaliações laboratoriais e metabólicas também podem fazer parte da investigação.

“É preciso avaliar a criança ou o adolescente de maneira completa e tirar todas as dúvidas antes de considerar o uso dessas medicações. E é importante lembrar que a medicação sozinha não resolve”, orienta Guaragna Filho.

O tratamento da obesidade pediátrica deve considerar alimentação, atividade física, sono, rotina familiar, saúde emocional e possíveis doenças associadas. Quando houver indicação, a decisão deve ser individualizada e acompanhada ao longo do tempo, com atenção à preservação da massa muscular, ao crescimento e ao desenvolvimento saudável.

Pais e responsáveis preocupados com o peso de uma criança ou adolescente devem procurar inicialmente o pediatra. Quando necessário, o cuidado pode envolver endocrinologista pediátrico e outros profissionais de saúde.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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