Violência psicológica cresce e acende alerta no Rio
Dossiê Mulher 2024 destaca avanço dos registros e a importância de identificar sinais precoces de violência
A violência contra a mulher nem sempre se manifesta por agressões físicas visíveis. No Rio de Janeiro, dados oficiais indicam um aumento significativo nos registros de violência psicológica, ressaltando a importância de identificar sinais como controle, ameaça, perseguição, humilhação e isolamento antes que a situação se agrave.
O Dossiê Mulher 2024, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), registrou 140.910 mulheres vítimas de algum tipo de violência no estado em 2023. Deste total, 51.019 sofreram violência psicológica, o que corresponde a 36,2% das vítimas — a maior proporção da série histórica apresentada pelo estudo.
Esses dados evidenciam que a violência psicológica, muitas vezes confundida com ciúmes ou conflitos comuns, compromete a autonomia e a segurança emocional das mulheres.
Sinais que merecem atenção
Comportamentos como controle sobre roupas, amizades e rotina, ameaças, perseguição, humilhações constantes e tentativas de afastar a mulher de sua rede de apoio são indicativos de violência psicológica. Frequentemente, essas atitudes precedem outras formas de agressão.
Além disso, o levantamento mostra que diferentes tipos de violência podem ocorrer simultaneamente. Em 2023, 22.576 registros incluíram relatos de agressões múltiplas, com a violência psicológica associada a violências moral, física e patrimonial.
A deputada estadual Sarah Poncio destaca a importância de reconhecer esses sinais precocemente para interromper o ciclo de violência. Segundo ela, “durante muito tempo, muita mulher aprendeu que só deveria pedir ajuda depois da agressão física. Mas violência também pode começar no controle, na ameaça, na perseguição, na humilhação, no isolamento e na tentativa de retirar a autonomia da mulher. Quanto antes esses sinais forem reconhecidos, maior é a possibilidade de interromper esse ciclo antes que ele avance.”
O risco após o término
O período após o fim de um relacionamento também demanda atenção especial. Em 2023, ex-companheiros foram apontados como autores das agressões contra 36.227 mulheres no estado, enquanto companheiros foram responsáveis por 29.056 registros.
Sarah Poncio ressalta que “existe uma ideia de que terminar uma relação resolve automaticamente o problema. Para muitas mulheres, justamente o período da separação exige atenção, orientação e uma rede preparada para protegê-las. A mulher não pode descobrir sozinha quais portas do Estado precisa bater quando já está com medo.”
A parlamentar defende que a prevenção envolva informação sobre os diferentes tipos de violência, acesso facilitado aos canais de denúncia e integração entre segurança pública, assistência social, saúde e Justiça. Para ela, a proteção deve começar nos primeiros sinais, e não apenas após uma agressão grave.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



