Como a escola pode identificar sinais de sofrimento emocional

Pesquisa do IBGE revela que 28,9% dos estudantes de 13 a 17 anos relatam tristeza frequente

Nem sempre crianças e adolescentes conseguem expressar verbalmente quando estão enfrentando dificuldades emocionais. Muitas vezes, essas questões se manifestam inicialmente por meio de mudanças no comportamento, como afastamento dos colegas, perda de interesse em atividades habituais ou alterações persistentes no humor. Por acompanhar os estudantes diariamente, a escola está em posição privilegiada para identificar esses sinais e promover um ambiente acolhedor para o diálogo.

O Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, reforça a importância de ambientes escolares seguros e da escuta ativa. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março de 2026, apontam que 28,9% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relataram sentir tristeza na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa.

Além disso, 26,1% dos estudantes afirmaram sentir, com a mesma frequência, que ninguém se preocupa com eles, e 32% relataram ter tido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores ao levantamento.

Quais mudanças merecem atenção?

É importante considerar que uma mudança isolada no comportamento não indica necessariamente um problema de saúde mental, especialmente durante a adolescência, período marcado por transformações físicas, emocionais e sociais. O alerta aumenta quando essas alterações são intensas, persistentes ou começam a impactar diferentes áreas da vida do estudante.

No ambiente escolar, sinais que merecem atenção incluem:

  • afastamento repentino dos colegas;
  • perda de interesse por atividades habituais;
  • mudanças frequentes de humor ou comportamento;
  • queda no rendimento escolar;
  • manifestações recorrentes de desesperança ou sofrimento.

Andréa Piloto, diretora pedagógica da Escola Vereda, destaca que a convivência diária permite aos educadores perceber essas mudanças, mas não cabe a eles realizar diagnósticos. “O professor convive diariamente com o aluno e conhece a forma como ele participa das aulas e interage com os colegas. Quando há uma mudança significativa e persistente nesse comportamento, é importante não tratar isso apenas como uma fase ou uma questão disciplinar. A escola pode acolher, ouvir e estabelecer um diálogo com a família para que esse estudante receba a atenção necessária”, afirma.

Acolhimento e encaminhamento

O primeiro passo para ajudar o estudante é oferecer uma escuta sem julgamentos e mostrar que pedir ajuda não é motivo de vergonha. Em vez de interpretar isoladamente cada comportamento, é fundamental conhecer o histórico do aluno e observar se as alterações se repetem.

A escola deve compartilhar suas percepções com a família e orientar a busca por acompanhamento profissional adequado. “Saúde mental não deve aparecer na escola apenas quando existe uma situação grave ou em uma campanha específica”, conclui Andréa.

Em junho de 2026, o Ministério da Saúde, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco anunciaram a ampliação do Pode Falar, iniciativa gratuita e anônima de acolhimento em saúde mental para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Com a expansão, a capacidade do serviço deve aumentar de cerca de mil para 11 mil atendimentos mensais.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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