Carta aberta aos presidenciáveis defende regras mais claras para setores regulados
Cinco entidades pedem melhorias na regulação e segurança jurídica para impulsionar empregos e serviços essenciais
Uma carta aberta divulgada por cinco entidades que representam setores regulados da economia brasileira colocou em pauta um tema crucial para o país: a necessidade de regras mais previsíveis e seguras para serviços essenciais como planos de saúde, telecomunicações, transporte, saneamento e rodovias.
As entidades envolvidas são a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (ABCON), a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e a Conexis Brasil Digital, que representa o setor de telecomunicações.
Propostas para melhorar o ambiente de negócios
O documento entregue aos candidatos à Presidência da República propõe uma agenda estruturada em dois pilares principais: a melhoria da qualidade regulatória e o fortalecimento da segurança jurídica, com foco na redução da litigiosidade.
Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento da independência e autonomia técnica, financeira e administrativa das agências reguladoras, a recomposição dos seus quadros técnicos e o uso mais efetivo de instrumentos como a Análise de Impacto Regulatório (AIR) e a Avaliação de Resultado Regulatório (ARR).
Segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) citados na carta, apenas 18% das normas produzidas pelas agências reguladoras entre 2021 e 2024 foram precedidas de AIR. Além disso, o Brasil obteve 50,22 pontos no indicador de qualidade regulatória do Banco Mundial em 2024, abaixo da média regional de 53,28 para América Latina e Caribe. No Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation de 2026, o país ocupa a 134ª posição entre 184 países.
Impacto para a população e o setor jurídico
As entidades ressaltam que os cinco setores abrangem praticamente toda a população brasileira, com números expressivos:
- Mais de 359 milhões de acessos em telecomunicações;
- 130 milhões de passageiros transportados anualmente na aviação civil;
- Mais de 53 milhões de beneficiários de planos de saúde;
- 2.720 municípios atendidos por concessionárias privadas de saneamento;
- Mais de 32 mil quilômetros de rodovias sob gestão privada.
No âmbito jurídico, a carta destaca o elevado volume de normas e processos judiciais no país. Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação indicam que cerca de 860 normas foram editadas por dia útil desde a promulgação da Constituição Federal, há quase 40 anos. O Conselho Nacional de Justiça registra mais de 100 mil novas ações judiciais diariamente.
Para reduzir a litigiosidade, as entidades defendem que os marcos regulatórios setoriais sejam usados como referência preferencial para a solução de conflitos, além de incentivar a resolução administrativa de controvérsias e a mediação. Também propõem revisar incentivos processuais que estimulam o ajuizamento abusivo e em série de ações, bem como melhorar a coordenação entre Judiciário, agências reguladoras e órgãos de defesa do consumidor.
“Os compromissos sugeridos aos candidatos à presidência da República pelas entidades representativas de cinco grandes setores econômicos têm plena condição de estimular maior concorrência, mais investimentos privados, inovação e empregos, como resultado de um ambiente de negócios mais seguro, previsível, eficiente e orientado a promover mais prosperidade, bem-estar e qualidade de vida para os cidadãos brasileiros”, afirmam as entidades signatárias.
A carta não menciona nomes de candidatos, mas traz ao debate eleitoral uma discussão que pode impactar diretamente a oferta, qualidade e expansão dos serviços usados diariamente pela população brasileira.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



