Canetas emagrecedoras associadas à menor progressão da catarata

Estudo observacional com 44 mil pessoas relaciona liraglutida e semaglutida a redução da catarata em até 70% após 10 anos

As chamadas canetas emagrecedoras, que também são utilizadas no tratamento do diabetes, foram associadas a uma menor progressão da catarata em um estudo observacional envolvendo 44 mil pacientes. A pesquisa, publicada no Journal of Ophthalmology, acompanhou pessoas com 55 anos ou mais por até uma década.

Embora esses medicamentos já tenham sido discutidos por possíveis efeitos adversos nos olhos, o estudo mostrou que os participantes que usaram liraglutida ou semaglutida apresentaram uma progressão significativamente menor da catarata em comparação com grupos tratados com outros inibidores de apetite ou sem tratamento.

Redução progressiva da catarata ao longo do tempo

Os dados indicam que, após cinco anos, o uso das canetas resultou em uma redução de 59% na progressão da catarata. Aos sete anos, essa redução chegou a 65%, e após 10 anos, alcançou 70%.

Além disso, o estudo identificou que, após 10 anos, o uso dessas medicações reduziu em 85% o risco de catarata cortical, que afeta a camada intermediária do cristalino, e em 79% o risco de catarata subcapsular posterior, localizada atrás do cristalino e com evolução mais rápida, especialmente comum em diabéticos.

Limitações do estudo e recomendações médicas

Por se tratar de um estudo observacional, a pesquisa identifica uma associação entre o uso das canetas e a menor progressão da catarata, mas não comprova que os medicamentos sejam a causa direta dessa redução. Outros fatores relacionados ao controle do peso, da glicemia e da saúde geral podem ter influenciado os resultados.

O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, destaca que o sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para o diabetes, condição que geralmente dobra o risco de desenvolver catarata. Ele alerta que o uso dessas medicações deve ser precedido por avaliação médica cuidadosa.

Importância do acompanhamento oftalmológico

Segundo Queiroz Neto, pessoas com sobrepeso podem apresentar diabetes e alterações na retina, o que torna essencial uma avaliação oftalmológica completa, incluindo tomografia da retina, antes de iniciar qualquer tratamento com essas medicações.

O controle da glicemia e do peso corporal tende a beneficiar a saúde ocular, mas não substitui o acompanhamento profissional. O médico também ressalta que pacientes diabéticos podem e devem realizar cirurgia de catarata quando indicada, pois o procedimento é mais seguro quando o cirurgião tem boa visibilidade do fundo do olho.

Além do acompanhamento médico, a alimentação desempenha papel importante na proteção dos olhos. Antioxidantes como luteína, zeaxantina e astaxantina, presentes em alimentos como gema de ovo, espinafre, couve, sardinha e salmão, atuam como um filtro natural contra a luz nociva, ajudando a preservar a transparência do cristalino.

Por fim, sintomas visuais ou suspeita de catarata devem sempre motivar uma consulta oftalmológica para avaliação adequada.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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