Marcela Aquino estreia na CASACOR Minas com Sala de Jantar Interlúdio
Ambiente propõe reflexão sobre tempo, memória e futuro com design brasileiro e arte mineira
Em sua estreia na CASACOR Minas 2026, a arquiteta mineira Marcela Aquino transforma um espaço de passagem em uma experiência sensorial e reflexiva sobre o tempo, a memória e o futuro. A Sala de Jantar Interlúdio, localizada entre dois ambientes da mostra, assume a condição de transição, inspirada no conceito teatral de interlúdio, que marca uma pausa e prepara para uma nova atmosfera.
Marcela, que tem formação como bailarina, explica: “Ao me deparar com um espaço estreito e profundo, percebi que não seria um local de longa permanência, assumindo esse papel de ‘interlúdio’ dentro da rota de visitação”. Em vez de modificar essa característica, ela a incorporou à narrativa do projeto.
Diálogo entre passado e futuro
O ambiente reúne uma paleta de cores intensas, materiais artesanais e peças de design brasileiro, criando um diálogo entre diferentes temporalidades. Obras de artistas mineiros, como uma tela de Lê Góis que retrata uma criança e outra de Eli Rodrigues com a figura de um senhor, são exibidas lado a lado, reforçando a reflexão sobre a passagem do tempo, a memória e a continuidade entre gerações.
Essa composição evita uma leitura nostálgica do passado, propondo, segundo a arquiteta, “um passado que não é nostálgico e um futuro que já chegou”. A proposta também se conecta ao tema da CASACOR Minas 2026, “Mente e Coração”, convidando o visitante a pensar sobre os espaços que ocupamos e o legado que deixamos.
Cores e texturas que marcam o ritmo
A paleta cromática é protagonista no ambiente, com paredes em tons arroxeados e piso amarelo de ladrilho hidráulico artesanal, produzidos peça por peça em um ateliê de Barbacena (MG). Essa combinação cria uma ruptura visual em relação aos espaços vizinhos, reforçando a ideia de mudança de ritmo.
Veludo, paredes texturizadas e tecidos aplicados no teto ampliam a experiência sensorial. Marcela destaca: “É um ambiente escuro, colorido e com muita textura para conferir dramaticidade. As cores utilizadas, como o roxo e o amarelo, são fortes e nada óbvias, além de não serem excessivamente vibrantes ou gritantes”.
Design brasileiro e produção artesanal em harmonia
O mobiliário segue a lógica de encontros e contraposições. No centro, uma mesa de nogueira simboliza o ritual da casa, sustentando o presente sem repetir o passado. Ao redor, cadeiras contemporâneas de couro cinza convivem com a cadeira Canto, de Sergio Rodrigues. O ambiente também destaca o banco em madeira maciça desenhado por Lina Bo Bardi para o Sesc Pompeia e a luminária Fogliame, feita de vidro esculpido artesanalmente.
Os tijolos de vidro, instalados na altura do olhar, equilibram visualmente a profundidade do espaço e compensam o peitoril elevado da construção original, enquanto elementos que remetem ao concreto, mas produzidos em fibra leve, ajudam a romper a predominância das linhas ortogonais da arquitetura.
Uma estreia marcada pela memória
Para Marcela Aquino, de 28 anos, formada pela PUC Minas e fundadora do estúdio Marcela Aquino Arquitetura em 2021, a participação na CASACOR Minas representa a primeira oportunidade de desenvolver um projeto inteiramente autoral, sem condicionantes de clientes. O processo foi também marcado por uma experiência pessoal delicada: o falecimento de sua avó durante a criação e execução do ambiente, acrescentando uma dimensão emocional ao tema da memória e passagem do tempo.
Marcela celebra a recepção do público: “O ambiente causa uma primeira impressão, mas se revela aos poucos para quem permanece nele. As pessoas comentam bastante sobre ser um espaço diferente e sobre a atmosfera que ele cria, que era exatamente uma das intenções do projeto. Estou muito feliz com a forma como tudo tem acontecido e, principalmente, com as trocas que o projeto tem proporcionado”.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



