Ebola na RDC: surto se desloca e ainda preocupa
Médicos Sem Fronteiras alerta que a queda nas internações não significa controle da doença, que já atingiu sete províncias da RDC
O surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) permanece uma ameaça significativa, segundo alerta a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Apesar de alguns indicadores apontarem melhora, como a redução nas internações e a desaceleração da transmissão em certas áreas, o vírus está se espalhando para regiões com infraestrutura limitada para diagnóstico, tratamento e controle da doença.
De acordo com MSF, a aparente queda no número de pacientes nos Centros de Tratamento de Ebola pode gerar uma falsa sensação de controle. “Pressupor que o surto está sob controle porque alguns Centros de Tratamento de Ebola estão recebendo menos pacientes seria um erro”, afirma Anthony Kergosien, coordenador de emergências da MSF na RDC. Ele destaca que, embora a propagação esteja desacelerando temporariamente em Ituri, epicentro inicial do surto, o número total de novos casos no país não diminuiu.
Expansão para novas províncias
O surto já atingiu sete províncias, incluindo a recente confirmação na província de Ubangi do Sul. Kivu do Norte concentra quase metade dos novos casos confirmados, com um aumento significativo nos testes positivos nos últimos dias. A MSF alerta que cadeias de transmissão não detectadas continuam se estabelecendo, o que dificulta o controle da epidemia.
Desde maio, foram reportados mais de 7.200 casos confirmados e 3.500 mortes na RDC, embora o impacto real possa ser maior devido a falhas na vigilância epidemiológica e na detecção de casos.
Desafios na resposta à epidemia
O avanço do Ebola em regiões com sistemas de saúde frágeis agrava a situação. Em áreas como Bambu, na província de Ituri, os sistemas já enfrentam problemas crônicos, como falta de financiamento, escassez de profissionais e limitações na capacidade de encaminhamento de pacientes. As equipes de resposta rápida da MSF atuam para suprir as necessidades urgentes, realizando detecção precoce, tratamento, prevenção e controle de infecções, rastreamento de contatos, vigilância epidemiológica e engajamento comunitário.
Necessidade de apoio internacional
A MSF ressalta que suas equipes não conseguem conter sozinhas a expansão do surto. A organização pede um aumento significativo do apoio operacional das agências das Nações Unidas, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), especialmente nas áreas fora dos principais centros, onde a capacidade de resposta é limitada.
Esse reforço permitiria que as equipes de MSF se concentrem na rápida mobilização para novos focos emergentes, garantindo que as comunidades afetadas tenham acesso a todos os serviços necessários para conter a doença.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



