Como satélites e IA ajudam a antecipar queimadas no Brasil

Com o El Niño no radar climático, tecnologia combina satélites, drones e inteligência artificial para identificar focos de incêndio mais cedo.

O fortalecimento do fenômeno climático El Niño ao longo de 2026 reacende as preocupações com as queimadas no Brasil, especialmente em áreas agrícolas, florestais e de infraestrutura. Para enfrentar esse desafio, tecnologias que combinam imagens de satélites, drones e inteligência artificial têm sido empregadas para reduzir o tempo entre a detecção de focos de incêndio e a resposta das equipes em campo.

De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 97% de probabilidade de que o El Niño persista até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte. Esse alerta ganha ainda mais relevância diante do histórico recente no país: dados consolidados pelo MapBiomas indicam que cerca de 30,2 milhões de hectares foram queimados no Brasil em 2024, o segundo maior valor desde 1985, quando a série histórica teve início.

Inteligência geoespacial para monitoramento e prevenção

A empresa brasileira Inspectral desenvolveu uma plataforma que integra imagens de múltiplas fontes para monitorar grandes extensões territoriais. Utilizando inteligência artificial, visão computacional e ciência de dados, a tecnologia detecta focos de incêndio, acompanha as áreas afetadas e apoia a definição de prioridades para a atuação em campo.

Além disso, a plataforma permite simular a provável propagação do fogo nas horas seguintes e gerar relatórios sobre as cicatrizes deixadas pelas queimadas. O objetivo é transformar grandes volumes de imagens em informações estratégicas que orientem decisões rápidas e eficazes.

O pesquisador Alisson do Carmo, cofundador da Inspectral, destaca que “investir em monitoramento ambiental com inteligência geoespacial é a alternativa para identificar cenários críticos com maior antecedência, otimizar a mobilização das equipes e minimizar impactos operacionais, ambientais e financeiros”.

Aplicação no setor elétrico

Uma das principais aplicações da tecnologia está no setor elétrico. Em parceria com a Axia Energia, antiga Eletrobras, a Inspectral contribuiu para o desenvolvimento de um sistema que monitora continuamente mais de 74 mil quilômetros de linhas de transmissão em todo o Brasil.

Esse sistema utiliza imagens de mais de 20 satélites, opera 24 horas por dia e atualiza suas análises a cada dez minutos. As informações geradas permitem identificar focos ativos e áreas afetadas, emitindo alertas quase em tempo real para apoiar ações preventivas e a resposta das equipes operacionais.

Da qualidade da água à prevenção de incêndios

Fundada em 2019 em Presidente Prudente (SP), a Inspectral surgiu a partir de pesquisas voltadas ao monitoramento de recursos hídricos. Inicialmente, a empresa combinava câmeras multiespectrais instaladas em drones, imagens de satélite e algoritmos para analisar a qualidade da água e acompanhar reservatórios.

Com o avanço da plataforma, a tecnologia passou a ser aplicada também em agricultura, infraestrutura e monitoramento ambiental. No agronegócio, as imagens multiespectrais combinadas com inteligência artificial auxiliam na identificação precoce de doenças e pragas nas lavouras.

Essa evolução representa uma mudança da reação para a prevenção: em vez de apenas registrar o que já ocorreu, os sistemas geoespaciais permitem acompanhar grandes áreas simultaneamente, cruzar diferentes fontes de informação e direcionar equipes para os pontos prioritários.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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