Antidepressivos: por que não parar o tratamento sozinha
A melhora dos sintomas não elimina o risco de recaída; especialistas destacam a importância do acompanhamento médico e da psicoterapia
Sentir-se melhor durante o tratamento da depressão é um avanço importante, mas não significa que seja seguro interromper o uso de antidepressivos sem orientação médica. A suspensão por conta própria pode elevar o risco de recaída e, dependendo do medicamento e da forma como é interrompido, provocar sintomas de descontinuação.
Esse alerta ganha destaque durante o Setembro Amarelo, campanha dedicada à prevenção do suicídio. A psiquiatra Danielle Geiss Santos explica que o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, estando associado a transtornos mentais em mais de 90% dos casos, especialmente a depressão.
Melhora dos sintomas não significa alta
Um dos desafios do tratamento surge quando os sintomas começam a diminuir. Nesse momento, o paciente pode interpretar a melhora como sinal de que a medicação não é mais necessária ou que está completamente recuperado. No entanto, essa decisão deve ser tomada com acompanhamento profissional.
“A melhora não significa necessariamente que a vulnerabilidade para uma nova recaída tenha desaparecido. A suspensão precoce pode aumentar o risco de retorno dos sintomas e, dependendo do medicamento e da forma como ele é interrompido, também pode provocar sintomas de descontinuação”, alerta Danielle.
Além disso, efeitos adversos, expectativa de resultados rápidos e receio de dependência podem prejudicar a adesão ao tratamento. A psiquiatra esclarece que antidepressivos não causam dependência nos mesmos moldes de substâncias que geram compulsão, mas a retirada abrupta pode desencadear sintomas de descontinuação, reforçando a necessidade de orientação médica.
Tratamento não apaga emoções
O preconceito em torno dos medicamentos psiquiátricos é outro obstáculo para o tratamento. O objetivo não é eliminar emoções ou transformar a personalidade, mas reduzir sintomas patológicos e permitir que o indivíduo recupere seu funcionamento e qualidade de vida.
“O objetivo não é apagar emoções ou transformar a personalidade, mas reduzir sintomas patológicos e permitir que o indivíduo recupere seu funcionamento e sua qualidade de vida”, afirma Danielle.
Importância da psicoterapia
A psicóloga Taynara Doneda destaca que a psicoterapia geralmente é recomendada em conjunto com a medicação. Enquanto o medicamento pode ajudar a pessoa a retomar atividades e ter mais disposição, a terapia favorece o autoconhecimento e a compreensão das questões presentes na história e rotina do paciente.
Para Taynara, a prevenção em saúde mental não deve ocorrer apenas diante de crises. “Quando aparentemente está tudo bem, também é importante, e é nesse acompanhamento contínuo que a pessoa pode compreender melhor o que determinadas situações representam em sua vida, reconhecer suas necessidades e ‘aprender a pedir ajuda'”, conclui.
Se o tratamento causar desconforto, se os sintomas retornarem ou se houver vontade de interromper a medicação, a orientação é sempre conversar com o profissional responsável antes de qualquer mudança.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



