Lesões autoprovocadas: mulheres são maioria nas internações

Levantamento aponta que 68,3% dos pacientes eram mulheres e que autointoxicação respondeu pela maior parte dos registros no primeiro semestre de 2026.

As mulheres representaram 68,3% dos pacientes com registro de lesão autoprovocada entre as internações para tratamento de transtornos mentais no primeiro semestre de 2026. O dado faz parte de um levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, que também aponta uma concentração maior de pacientes jovens nesse grupo.

Entre as cerca de 14,7 mil internações por saúde mental registradas no período, 12,5% apresentaram registro de lesão autoprovocada. No primeiro semestre de 2025, a proporção havia sido de 13,3%, segundo a análise.

Autointoxicação foi o registro mais frequente

A autointoxicação por medicamentos e drogas apareceu como o mecanismo mais frequente entre as lesões autoprovocadas: correspondeu a 67,7% dos registros em 2026, contra 70% no mesmo período de 2025.

O padrão foi ainda mais concentrado entre as mulheres. Nesse grupo, 73,8% dos registros envolveram autointoxicação por medicamentos e drogas. Entre os homens, o percentual foi de 58,6%.

O levantamento também identificou diferenças entre as faixas etárias. A idade média dos pacientes com lesão autoprovocada foi de 31,3 anos, abaixo da média de 40,5 anos observada no conjunto das internações por saúde mental.

Crianças e adolescentes ganharam participação

Pacientes com até 17 anos representaram 15% das internações com registro de lesão autoprovocada em 2026. No ano anterior, eram 13,3%. Entre todas as internações por saúde mental, essa faixa etária correspondeu a 9,4% no primeiro semestre de 2026.

Entre os pacientes mais jovens, a autointoxicação também predominou, com 59,8% dos registros. Objetos cortantes ou contundentes apareceram em 17,2% das ocorrências nessa faixa etária, proporção superior à observada em adultos.

“O perfil mais jovem dos pacientes e o aumento da participação de crianças e adolescentes chamam atenção para a necessidade de identificação precoce de situações de sofrimento e vulnerabilidade. A prevenção exige uma rede preparada para reconhecer sinais de risco e garantir acompanhamento contínuo”, afirma Breno Duarte, presidente do Grupo IAG Saúde.

Um em cada quatro pacientes precisou de CTI

Em 2026, 26,1% dos pacientes com registro de lesão autoprovocada passaram por um Centro de Terapia Intensiva (CTI), o equivalente a aproximadamente um em cada quatro casos. Em 2025, eram 25,2%.

A permanência hospitalar média passou de 4,1 para 4,7 dias entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. O custo assistencial médio subiu de R$ 4,8 mil para R$ 5,4 mil no período.

O estudo ressalta que o registro de lesão autoprovocada não deve ser interpretado isoladamente como tentativa de suicídio. Da mesma forma, óbitos ocorridos durante essas internações não equivalem automaticamente a suicídios. A avaliação da causa da morte depende de uma base específica de mortalidade.

“A prevenção do suicídio começa antes de uma tentativa ou de um evento fatal. Ela envolve reconhecer situações de vulnerabilidade, ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental e assegurar acompanhamento adequado”, conclui Duarte.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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