Hospitais filantrópicos são essenciais para a capacidade de atendimento do SUS
Santas Casas e instituições beneficentes respondem por grande parte da assistência hospitalar de média e alta complexidade no estado de São Paulo
Em 19 de setembro, o Sistema Único de Saúde (SUS) completará 36 anos, sendo o maior sistema de saúde pública e universal do mundo, e oferecendo atendimento para mais de 190 milhões de pessoas, com 80% dependendo exclusivamente dele. Nesse cenário, as Santas Casas e os hospitais filantrópicos são parte fundamental da estrutura do SUS, respondendo pela maior parte da assistência hospitalar de média e alta complexidade.
No estado de São Paulo, em 2025, essas instituições realizaram 50,38% dos atendimentos e procedimentos hospitalares, superando a rede pública, responsável por 49,27%. As entidades filantrópicas também representam a maior parte da rede hospitalar estadual: dos 1.117 hospitais existentes no território paulista, 407 são filantrópicos, à frente dos equipamentos públicos (321) e privados (389). Além disso, em 143 municípios, eles representam a única estrutura hospitalar disponível para atender a população.
“Quando um paciente precisa de um transplante, de uma cirurgia cardíaca ou de tratamento contra o câncer, não há espaço para o SUS falhar. É justamente nessa fronteira entre a complexidade e a urgência que os hospitais filantrópicos sustentam uma parcela essencial da assistência pública. Somos a base do SUS e dizer isso não é força de expressão: é reconhecer quem mantém de pé uma parte decisiva da saúde brasileira”, ressalta o diretor-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), Edson Rog.
Essa expressividade, no entanto, convive com dificuldades financeiras históricas do setor. A própria dimensão financeira da assistência prestada pelo SUS em São Paulo evidencia o tamanho desse desafio: segundo análise da Numb3rs, o valor da produção SUS registrada nos hospitais filantrópicos paulistas passou de R$ 5,42 bilhões, em 2023, para R$ 6,27 bilhões, em 2024, chegando a R$ 6,87 bilhões em 2025.
A sustentabilidade dos hospitais filantrópicos exige modelos de financiamento compatíveis com a complexidade e a dimensão da assistência prestada. Como parte das medidas adotadas para ampliar o financiamento da assistência no estado, a Tabela SUS Paulista, em vigor desde 2024, complementa os valores pagos pelos procedimentos realizados pelo SUS, possibilitando à rede filantrópica ampliar a prestação de serviços. A medida também apresentou crescimento no período. Os valores passaram de R$ 3,92 bilhões, em 2024, para R$ 4,36 bilhões, em 2025, representando uma elevação de aproximadamente 11,3%.
Entre 2022 e 2025, os hospitais filantrópicos paulistas registraram crescimento em importantes frentes de atendimento, como os procedimentos clínicos oncológicos, que passaram de 48.527 para 57.995 no período, um aumento de 19,5%. Já os procedimentos cirúrgicos oncológicos cresceram 38,8%, passando de 24.774 para 34.382. No mesmo intervalo, as cirurgias eletivas realizadas pela rede filantrópica aumentaram 53,8%, de 224.566 para 345.489 procedimentos.
“O SUS é muito mais do que uma política pública. É uma estrutura essencial para garantir que milhões de brasileiros tenham acesso à saúde, principalmente àqueles que não teriam outra alternativa de atendimento. Quando as instituições recebem melhores condições de financiamento, elas conseguem ampliar sua capacidade para atender a população, reduzir gargalos e oferecer mais acesso à saúde para quem depende do sistema público”, destaca Rog.
O diretor-presidente da Fehosp lembra que, diante dos desafios econômicos ainda persistentes, continua sendo necessário o aperfeiçoamento dos mecanismos de financiamento, além do fortalecimento de programas que valorizem a produção assistencial, estimulem investimentos e estabeleçam uma relação baseada em planejamento de longo prazo.
“Cada hospital fortalecido representa menos deslocamentos, mais acesso, menor tempo de espera, maior capacidade de resposta às urgências e mais segurança para quem depende exclusivamente do SUS, que, inclusive, é a maior parcela da população brasileira”, pontua.
“A transformação da saúde pública passa não apenas pela criação de novos programas, mas pela capacidade de dar condições para que a rede que sustenta essa assistência esteja cada vez mais preparada para responder às necessidades da população”, conclui.
Por Edson Rog
Diretor-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp)
Artigo de opinião



